quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
Memórias de Areia (Thiago Daniel)
Sem raça
E pela areia deixava as pegadas
As ondas
Absorviam mais aquela memória
O vento
Carregava
Sábio mar
Apanhador desaberes
Minúsculos conhecimentos
Dos minúsculos grãos esvoaçantes
O vento só leva
Não guarda
“Se querem, busquem” – ele sopra
E põe-se a correr
O mar fica ali
Tempo gordo,
Hora cansado
O vento some
Vezes cortante
Outrora
Apressado
Ela fica com os dois
Aprendeu com seus antigos
Nunca desprezar os deuses do cognitio
Num mergulho apanha o alimento
E às vezes
Vai com o vento
Quando volta
As pegadas
Não mais existem
Extraviadas pelo mar ou pelo vento
Não importa
Lá de cima, realmente não importa
Só espera as próximas pegadas
É tão lindo ser gaivota
sábado, 4 de janeiro de 2014
Renascimento (Elianete Vieira)
Nada como um dia após o outro.
O futuro a Deus pertence.
Frases batidas, mas sempre atuais.
O velhinho se despede
Em meio à emoção
Lembrando tudo o que passou
Momentos felizes, outros não.
O futuro vem chegando
Nascendo na escuridão.
Trazendo sonhos, desejos,
Amor, saúde e realização.
Quem viveu o velhinho
Agora festeja o nascer do bebezinho.
Comida, bebida, saudações e carinho.
Fogos iluminam o novo ano que chegou de mansinho.
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
Vivo para você (Elianete Vieira)
Observo tudo e todos à minha volta.
Sonhos, correria, vozes, silencio, dia, noite, vento, chuva, sooolllllll
Várias duas pernas passam e nem me olham.
Se não fosse a chuva me alimentar e o sol me fortificar, não resistiria uns poucos dias.
Pequenos tentam me tocar, mas tenho medo, espeto seus dedinhos xeretas.
Outros me tocam com carinho, sabem me acariciar e não se machucam. Alguns se aproximam para me sentir.
Para estes, libero meu aroma e meu mais belo sorriso.
Alegro seu jardim e sua vida.
Volte sempre.
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Joana do Querer (Thiago Daniel)
Chorou até não querer mais
Quando cansou
Fechou o zíper
Joana cheia de querer
Chorou até querer mais ar
E quando suspirou
Lavou as mãos
Joana cheia de querer
Chorou até amanhecer
Quando viu o sol
Os olhos choveram
Joana cheia de querer
Chorou até o anoitecer
E quando os olhos tocaram o luar
Sentiu a mesma dor
Joana cheia de querer
Não queria mais chorar
Quando viu sangue no ventre
Chorou até morrer
domingo, 3 de novembro de 2013
Sonhar (Elianete Vieira)
Sonhar é saudável
Nos leva ao futuro que gostaríamos ter
Aos lugares que queremos visitar
Às posições profissionais que um dia viremos a estar
À presença no altar com o amor se casar.
Sonhar é planejar
Marcar as férias, agendar hotel e passagens
Traçar a rota e lugares a visitar
Além das reservas para gastar
E preparar a câmera para fotografar.
Sonhar é se preparar
Com cuidado, os cursos, escolher
Uma boa empresa selecionar
Cumprir os pré-requisitos para se promover
E a posição profissional almejada alcançar.
Sonhar é lutar
Vencer as barreiras escolares
Vencer a concorrência por vagas
Vencer o dia a dia estafante
Vencer o trânsito nas grandes cidades.
Sonhar é dormir cansado
Rolar na cama insone
Ou deitar e apagar num sono profundo
Ou ler um livro para relaxar
E assim, acordar leve para um novo dia.
Deitar e olhar as nuvens correndo
Formando imagens conhecidas
Também é sonhar
É nesse momento que nos imaginamos no amanhã
E enxergamos nosso eu futuro.
Sonhar é realizar
As ações executar
As vitórias comemorar
E aí sim, teremos a certeza
De que tivemos muita sorte.
terça-feira, 22 de outubro de 2013
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
Mar (Thiago Daniel)
Cobriu seus pés cheios de areia
A colcha
de três gerações
Pensou na infância
os tapas das ondas
nos quadris
o beijo
no primeiro namorado
o filho
do único marido
o cesto de roupas no ombro
o pássaro roubando peixe
a ruga nos olhos do filho
que aos sete pediu um irmão
do pai falecido
Um sorriso brotou da lágrima
E quando o céu encheu de flores
Fez-se mar
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
O Som da Palavra (Thiago Daniel)
do verso
do vento
Ta no ouvido
da prosa
do mar
Ta descansando
ali no seu cantinho
de olhos abertos
Pra melhor deitar com as borboletas
Ta na boca
da língua que escorre
Saliva-remédio
Ta no sangue
lambendo
dentro das veias
Ta doendo
abaixo dos ombros
de tanto ruflar o maxilar
e partir sem peso nas orelhas
Ta na mão
que canta de aplausos
o grilo verde-hoje
E escuta na textura do ar
uma harpa assoviando beijos
Para as palavras
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Acróstico Paterno II (Tiago Nascimento)
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Vida (Marcio E. Ochner)
perfeição existencial,
de conceito defeituoso,
com áurea definida,
por números e de fins práticos.
Perfeição grega ,
com olhos materializados,
conjunto de linhas harmônicas,
uma canção matemática,
densidade areada,
perfeição singular.
Vento de captura sem defeito,
penhasco da arquitetura atemporal,
ofuscação comparada,
Paradoxal.
Marcio E. Ochner
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Amor Eletrônico (Marcio E. Ochner)
não ouço mais o seu digitar
sua voz, em pensamentos cala-se ,
crio o seu ser em mim,
mais vivo que a própria vida...
vida, você,
eletrônicamente.
Pensamentos...
Memória que foge as pressas,
nem mesmo dispersa,
em mim,
você cintila e dorme...
e eu te observo pixeladamente...
Marcio E. Ochner
sábado, 13 de abril de 2013
Cavidade (Marcio E. Ochner)
sai e não retoma...
paralisado,
pouca coisa se vê,
quinhão prolífero,
fragmenta-se em cores,
tomam corpo,
nada dizem...
Arremessa-se a desistência,
Causam dor,
Troca repentina de foco,
rende-se a inércia...
Convulsão muscular,
atalho acidentado,
foca sua extremidade,
no bolso outra superfície
amontoado de matéria,
corre a lingueta ,
abre caminho,
indolente momento,
nasce a lembrança,
atrasado...
peça que se fecha,
dispara...
Marcio E. Ochner
domingo, 7 de abril de 2013
Meus Olhos, Teus Olhos (Thiago Daniel)
Meus olhos de anúncio
Estacionados na tua prateleira
Brincam de silêncio
E te deixam passar
Teus olhos de águia
Navegando em papel veludo
Dobram troncos de Araçá
E me deixam ficar
Meus olhos de chamar sonhos
Deixam-te acordada
E não lembram mais de nada
Teus olhos código de barra
Não leem os meus
Caixa automático
quinta-feira, 14 de março de 2013
Beijo (Marcio E. Ochner)
Em todo espaço
Algo que prende-se a pele
Que enlaça-se
Anda de cá pra lá
de sabor agradável
Florescência corporal
Que nos priva do calor visceral
Que nos freia ao ar
Como beija-flor
Que deflora
Que beija e permanece
Consciência íntima
Casualidade interior.
Marcio E. Ochner
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Hoje é terça-feira (Tiago Nascimento)
Hoje é terça-feira. Uma modorrenta e insossa tarde terça-feira. Dessas que só as terças sabem ter. O que me leva a seguinte indagação: existe dia mais insosso e sonso do que a terça?
A sexta-feira (e por associação a quinta-feira) é o dia mais esperado e festejado da semana trabalhada. Do outro lado vemos a segunda-feira que tão indesejável se afigura, de modo que monopoliza toda a dor, lamúria e ódio de ser início de semana e relega à terça-feira o ocaso do sentimento zero. Nenhuma palpitação, positiva ou negativa resta à pobre terça. Ainda se fosse a singular quarta-feira que transpirando seriedade divide a semana-útil ao meio...
Mas enfim, o que são as terças-feiras? Ou melhor, o que não são as terças-feiras?
* Não são mais o início da semana.
* Não fazem parte do festivo fim desta.
* Tampouco se configuram em sua singular metade.
Conclusão óbvia? As terças-feiras são um adendo desnecessário, assim como o são o dedo mínimo e o cóccix. E esses dois, resquícios tardios de um processo evolutivo que segue sua lenta e inexorável mutação me levam a crer que a terça-feira talvez seja apenas um lapso cultural do nosso calendário. Precisamos corrigir esse lapso! Precisamos modernizar o calendário!
Proponho aqui minha campanha: vamos abolir a terça-feira...
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
sábado, 15 de dezembro de 2012
E o trem passou... (Sônia Pillon)
Piuí, piuí, piuí... Tô chegando, tô chegando, tô chegando! Tô levando grãos de milho, soja e óleo... Tô lotado, tô lotado, tô lotado! Sai da frente, sai da frente, sai da frente! Tô deslizando pelos trilhos, rumo a São Francisco do Sul! Piuí, piuí, piuí...
O trem da ALL vem que vem contente! Chega carregado, imponente, com todos os seus vagões. Como em um desfile de escola de samba, com sua comissão de frente, o apito anuncia sua chegada, lembrando aquela famosa marchinha carnavalesca de Chiquinha Gonzaga... Como é mesmo o nome? Ah, “Ô Abre Alas!”...
Do lado de lá e de cá dos trilhos, pessoas e veículos ficam literalmente estacionados com a sua vinda. A cidade para ante sua passagem!...
Mas hoje o trem tem um motivo a mais para se alegrar e estufar o peito de orgulho! Como se não bastassem as memórias de mais de um século, do tempo em que a antiga estação passou a impulsionar o crescimento da cidade, hoje ele será recebido com festa!
É que o trem ficou sabendo que, em sua homenagem, um evento cultural estava em andamento, reunindo poetas e amantes da literatura. Nos trilhos por onde ele passaria, poemas eram recitados com grande emoção, e os sentimentos brotavam do fundo da alma...
Piuí, piuí, piuí... Tô chegando, tô chegando, tô chegando! Tô levando grãos de milho, soja e óleo... Tô lotado, Tô lotado, Tô lotado! Sai da frente, sai da frente, sai da frente! Tô deslizando pelos trilhos, rumo a São Francisco do Sul! Piuí, piuí, piuí...
A hora de entrar na cidade estava cada vez mais próxima. Agora, já dá para avistar um pequeno grupo ruidoso, que estava abanando, sorrindo, pronto para recepcionar o trem e seu séquito de vagões. E quando ele chegou, chegou bem perto... Ah, foi um delírio geral!... Palmas e gritos de alegria à sua chegada! Todos queriam registrar em fotos e vídeo aquele momento histórico e inesquecível...
Piuí, piuí, piuí... Tô chegando, tô chegando, tô chegando! Tô levando grãos de milho, soja e óleo... Tô lotado, tô lotado, tô lotado! Sai da frente, sai da frente, sai da frente! Deslizando pelos trilhos, rumo a São Francisco do Sul! Piuí, piuí, piuí...
E finalmente ele passou! Majestoso, garboso, apitando e fazendo vento à sua volta. Os Saraus de Poesias nos Trilhos do Trem de Jaraguá do Sul, com certeza vão ficar para sempre na memória de seus participantes...
Sônia Pillon é jornalista e escritora, de Porto Alegre (RS) e desde 1996 radicada em Jaraguá do Sul (SC).
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Poema Pelo Mundo (Adriana Niétzkar)
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Bem-vindos ao Apocalipse Zumbi (Tiago Nascimento)
sábado, 22 de setembro de 2012
Pornografia Carnívora (Tiago Nascimento)
- Eu vou comer você sua vaca!
Era uma vez um hambúrguer.
Agarrou-a com destreza
- Eu vou comer você sua vaca!
Era uma vez uma virgem...