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domingo, 3 de novembro de 2013

Sonhar (Elianete Vieira)

Sonhar é saudável

Nos leva ao futuro que gostaríamos ter

Aos lugares que queremos visitar

Às posições profissionais que um dia viremos a estar

À presença no altar com o amor se casar.

 

Sonhar é planejar

Marcar as férias, agendar hotel e passagens

Traçar a rota e lugares a visitar

Além das reservas para gastar

E preparar a câmera para fotografar.

 

Sonhar é se preparar

Com cuidado, os cursos, escolher

Uma boa empresa selecionar

Cumprir os pré-requisitos para se promover

E a posição profissional almejada alcançar.

 

Sonhar é lutar

Vencer as barreiras escolares

Vencer a concorrência por vagas

Vencer o dia a dia estafante

Vencer o trânsito nas grandes cidades.

 

Sonhar é dormir cansado

Rolar na cama insone

Ou deitar e apagar num sono profundo

Ou ler um livro para relaxar

E assim, acordar leve para um novo dia.

 

Deitar e olhar as nuvens correndo

Formando imagens conhecidas

Também é sonhar

É nesse momento que nos imaginamos no amanhã

E enxergamos nosso eu futuro.

 

Sonhar é realizar

As ações executar

As vitórias comemorar

E aí sim, teremos a certeza

De que tivemos muita sorte.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

O imaginário e a vingança delas (Marcelo Lamas)




Não era pra ter vazado. Mesmo tendo o maior cuidado, o sigilo foi quebrado e a informação veio à tona.
Começou num final de sexta-feira, no escritório. Procurando uma distração momentânea, o sujeito tirou os olhos do monitor e olhou para a menina que estava ao lado, imaginou alguma coisa proibida, pensou, riu e comentou baixinho, com um colega:
– Jaime, como tu achas que é o estilo do corte - apontando para a região pubiana - da Cláudia?
– Máquina zero com certeza! Respondeu ele, controlando o riso.
E a Selminha?
– Moicano. E a Dona Mércia, consegues imaginar?
– Cláudia Ohana.
– Cláudia Ohana?
– É Claudia Ohana. Mata Atlântica, entendeu?
– Entendi.
Muito pró-ativo, o Jaime pegou um cartão de apresentação e no verso fez uma coluna com as iniciais ou os apelidos das mulheres. Ao lado, listou as alternativas, onde aparecia também a opção bigode do Hitler.
Em seguida passou a cédula única entre os mais chegados, com QI mais alto, que seriam discretos. Antes do sinal do expediente tocar, os dados estavam compilados e 68% disseram que a “Ajeitada” seguia o tipo moicano.
Mas como sempre acontece, a informação de que uma pesquisa do gênero havia sido feita chegou até o clube da luluzinha.
Elas deixaram transparecer que eram sabedoras da enquete. Pareceram ter levado na esportiva. Uma delas comentou: “Com esse meu cabelão, sem chapinha, o que será que não pensaram?”.
Outra indagou: “O ‘que que deu’ meu resultado na pesquisa de vocês, hein?”.
A intimidade que ela cultivava com o grupo até permitia que o resultado fosse revelado. Mas ela não fez parte da enquête. Não estava na repartição na hora do pleito. Foi esquecida. Não acreditou na versão. Tem certeza que houve um veredito e  que não foi poupada da análise. Ficou brava duas vezes, primeiro por estar na lista e depois por, talvez, não estar.
Numa outra reunião, realizada em um chá-de-panela, o clube decidiu retribuir a gentileza. Assim, foram coletadas informações com todas as participantes femininas.
O resultado foi impresso em fonte 18. Havia uma coluna com o nome de batismo de todos os colegas. Os percentuais estavam apontados embaixo das fotografias de uma garrafa de Coca-Cola, um sacolé, um pepino em conserva, um chocolate Baton e um oriental, entre outros.
Elas deram jeito de fazer a folha ofício passar na mesa de todo mundo. Neste caso, o sigilo, de fato, era mesmo para ser quebrado.


Marcelo Lamas
marcelolamas@globo.com