segunda-feira, 24 de junho de 2013
Um choque de realidade (Patrícia Grah)
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Acróstico Paterno II (Tiago Nascimento)
terça-feira, 23 de abril de 2013
A criança que foste, teria orgulho do adulto que és? (Patricia Grah)
Eis que me pego fazendo esta pergunta...
Em nossa infância, muitos de nós sonhávamos e imaginávamos – a partir do nosso conceito de felicidade - que quando adultos seríamos extremamente realizados e bem sucedidos: teríamos uma casinha, saberíamos dirigir e sendo assim poderíamos levar as pessoas para passeios e viagens super divertidas, compraríamos carrinhos de controle dos modelos mais top’s para brincar com nossos filhos, seríamos elegantes por termos um trabalho e escolhermos o que desejássemos para comprar no supermercado e usaríamos a roupa que quiséssemos.
Porém, ao alcançar este estágio da vida, acabamos por ter aquela sensação de impotência, de a vida não ser “tudo aquilo”. Sentimos que quanto mais nos dedicamos e lutamos por nossos sonhos, mais longe do nosso ideal chegamos. Mas existe uma desculpa, ou melhor, uma explicação para esta insatisfação: crianças são puras e se satisfazem somente com o que realmente importa! Para elas, uma família, um dinheirinho para comprar um doce e um brinquedo de vez em quando basta. Um carinho da mãe ou uma brincadeira com os amigos, um domingo de sol, uma cama quentinha pra dormir até tarde. Coisas que aos nossos olhos, passam despercebidas...
Escrevo este texto como uma forma de reflexão, pois penso que muitos de nós estamos exigindo muito de nós mesmos, cobrando respostas antes de saber quais são as perguntas, buscando algo sem saber por e pra quê, fixando cada vez mais a busca pela felicidade material, esquecendo-nos da espiritual e deixando de lado o verdadeiro valor da vida. Criamos um mundo onde o trabalho está sendo posto no topo das prioridades – não que não seja essencial em nossas vidas, mas há um limite – deixando para o fim da lista o que seria o primordial, como a família e o amor próprio, deixando que a vaidade e a luxúria gritem o tempo todo em uma busca obsessiva criada por uma ideia fútil de que bens materiais fazem moral ou caráter, não importando se a condição financeira condiz com o sonho de consumo; onde a ganância por dinheiro contradiz os princípios morais, tornando mais importante o lucro financeiro que o espiritual, não prevalecendo nada além disto; onde a mentira e o desejo se sobressaem, criando um paradoxo entre o valor carnal e o familiar; onde a arrogância e a presunção da própria sabedoria tonam cego quem as possui . Tudo isto, somente para satisfazer o ego e mesmo assim permanecer infeliz.
É preciso sensibilidade e muito trabalho interior, porém, ao deixarmos o exterior de lado, descobriremos que só se sorri de verdade quando se busca de volta aquela criança que viveu dentro de nós.
Agora volto à pergunta: “A criança que foste, teria orgulho do adulto que és?”
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Coisas de meninos e medos (Adriana Niétzkar)
Melhor ir pra casa...
Por quê? Você tá com medo de fantasmas?
Sim...
Você já viu um?
Não... mas existe sim!
Existe fantasma e medo de fantasma. Quando você tem medo é porque não é fantasma. Quando é fantasma de verdade você não tem medo. Minha mãe que disse!
E daí?!
E dai que se minha mãe disse é porque é verdade.
Não sei não, porque a gente não tem medo de fantasma de verdade, se tem medo de fantasma de mentira?!
Eu perguntei isso pra ela.
E o que ela disse?
Que a nossa imaginação é muito pior que um fantasma de verdade.
humm..
E na hora do sono o segundo menino, iniciado nas artes do mistério, da sua cama, ouvia portas rangerem e janelas sendo batidas. Enfim lembrava-se do que ensinou o amigo e voltava a respirar fora das cobertas.
E, talvez, irritada por seus ruídos não serem suficiente, uma imagem translúcida apareceu. O menino tremia de medo, mas quanto mais o fantasma o apavorava mais ele o negava:
Fantasmas não existem, não exitem..
Menino... você não me engana, se não existo porque tem medo?!
Para ter certeza de que você não é um fantasma.
terça-feira, 19 de julho de 2011
Acróstico Paterno (Tiago Nascimento)
meus pensamentos buscam
a minha mente imagina: você
rabisco esses miniversos e escuto
imperceptíveis sons prenunciam-te
ao acordar não podia imaginar ser hoje
cataclismaticamente nesse peculiar momento
longe de condições favoráveis (cadê o aumento?)
a chegada tua nesse ruidoso silêncio que ora ouves
recolho-me a essa instintiva condição existencial rara
amanhã; no mais tardar, serei seu pai minha Maria Clara...