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quarta-feira, 24 de julho de 2013

Amizade (Patrícia Grah)



Olho ao meu redor e o que vejo são nada menos que fragmentos do meu passado.

Amigos... Ah, os amigos! Que momentos incríveis passamos juntos à eles!

Uma pelúcia recebida como presente de aniversário há alguns anos conta uma história, assim como aquele livro, já amarelando e datando outro momento, conta outra. O porta retrato, recebido por outro, marca um momento único que é relembrado com certa frequência por estar sempre à vista. Um CD conta outra história, um enfeite lembra outra e junto à isto, é inevitável sentir uma certa nostalgia, que se mistura à saudade, que se junta às lembranças de um tempo que não volta mais: dos choros, dos risos, das festas, das discussões, das brincadeiras, dos abraços... Pois mesmo que o tempo passe e a amizade perdure, ela jamais prosseguirá igual. Haverão sempre altos e baixos e sua importância poderá ser ponderada por terceiros.

Por hora, sofremos por nossos amigos, compramos brigas até mesmo supérfluas por eles, e por via, nos decepcionamos por não sermos correspondidos da mesma forma. Mas a questão é que a amizade é um amor imensurável e cada um o sente em uma feição única!

Sofro pelos meus, sinto  coração doer ao vê-los sofrer. Prefiro a honestidade em primeiro lugar, porque a verdade sempre prevalecerá.

Mas uma coisa é certa: se a amizade for verdadeira, ninguém e nem o tempo irão apaga-la! Afinal, como dizia Mário Quintana: “A amizade é um amor que nunca morre!”



Que assim seja!

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Mario, o gênio (Marcelo Lamas)


O recordista de citações nos meus escritos é o poeta Mario Quintana (1906-1994). Pesquisei sua vida e obra em livros, artigos, biografias, entrevistas e documentários. Fiquei alguns dias “ilhado” no centro de Porto Alegre, em museus, bares, cafés, na rua da Praia e na praça da Alfândega, seu habitat.
O poeta foi um solteirão convicto e sempre morou em hotéis. Antes de falir, o Majestic hospedou Mario por 12 anos. O prédio imponente foi recuperado e re-inaugurado, em 1990, como Casa de Cultura Mario Quintana (www.ccmq.rs.gov.br) e o poeta pôde ver seu sonho realizado.
Ao longo da vida, foi tradutor de telégrafo e da Editora Globo (Proust, Balzac, Voltaire e outros), além de jornalista. O escritor fora alcoólatra. Um médico alertou: “Se o senhor não parar de beber, nunca ficará famoso!”. Submeteu-se ao tratamento e livrou-se do vício na década de 50.
Aos 60 anos, rompeu as divisas do sul e tornou-se nacionalmente conhecido. Conseguiu, definitivamente, colocar a conta do hotel em dia. Recebeu a titulação de Doutor Honoris Causa de várias universidades. Escreveu 20 livros (5 de poesia infantil) e 14 antologias. Na coluna Caderno H — que virou livro da Editora Globo —, no Correio do Povo, do Rio Grande do Sul, publicou infinitas máximas universais, como: “A preguiça é a mãe do progresso. Se o Homem não tivesse preguiça de caminhar, não teria inventado a roda” e “A morte não iguala ninguém: há caveiras que possuem todos os dentes”.
Mario tinha um humor sarcástico. Certa vez, uma jovem repórter, usando um jargão jornalístico que estava na moda, indagou-o esperando uma autodefinição: Quem é Mario Quintana? Com a ironia habitual respondeu: “Sou eu mesmo, minha filha!”.


marcelolamas@globo.com