sábado, 4 de janeiro de 2014
Renascimento (Elianete Vieira)
Nada como um dia após o outro.
O futuro a Deus pertence.
Frases batidas, mas sempre atuais.
O velhinho se despede
Em meio à emoção
Lembrando tudo o que passou
Momentos felizes, outros não.
O futuro vem chegando
Nascendo na escuridão.
Trazendo sonhos, desejos,
Amor, saúde e realização.
Quem viveu o velhinho
Agora festeja o nascer do bebezinho.
Comida, bebida, saudações e carinho.
Fogos iluminam o novo ano que chegou de mansinho.
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
Vivo para você (Elianete Vieira)
Observo tudo e todos à minha volta.
Sonhos, correria, vozes, silencio, dia, noite, vento, chuva, sooolllllll
Várias duas pernas passam e nem me olham.
Se não fosse a chuva me alimentar e o sol me fortificar, não resistiria uns poucos dias.
Pequenos tentam me tocar, mas tenho medo, espeto seus dedinhos xeretas.
Outros me tocam com carinho, sabem me acariciar e não se machucam. Alguns se aproximam para me sentir.
Para estes, libero meu aroma e meu mais belo sorriso.
Alegro seu jardim e sua vida.
Volte sempre.
domingo, 3 de novembro de 2013
Sonhar (Elianete Vieira)
Sonhar é saudável
Nos leva ao futuro que gostaríamos ter
Aos lugares que queremos visitar
Às posições profissionais que um dia viremos a estar
À presença no altar com o amor se casar.
Sonhar é planejar
Marcar as férias, agendar hotel e passagens
Traçar a rota e lugares a visitar
Além das reservas para gastar
E preparar a câmera para fotografar.
Sonhar é se preparar
Com cuidado, os cursos, escolher
Uma boa empresa selecionar
Cumprir os pré-requisitos para se promover
E a posição profissional almejada alcançar.
Sonhar é lutar
Vencer as barreiras escolares
Vencer a concorrência por vagas
Vencer o dia a dia estafante
Vencer o trânsito nas grandes cidades.
Sonhar é dormir cansado
Rolar na cama insone
Ou deitar e apagar num sono profundo
Ou ler um livro para relaxar
E assim, acordar leve para um novo dia.
Deitar e olhar as nuvens correndo
Formando imagens conhecidas
Também é sonhar
É nesse momento que nos imaginamos no amanhã
E enxergamos nosso eu futuro.
Sonhar é realizar
As ações executar
As vitórias comemorar
E aí sim, teremos a certeza
De que tivemos muita sorte.
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
Poema da vida (Elianete Vieira)
Poetisa, Iza me conquistou pela doçura. Com 74 anos, cheia de energia, preparou a festa de 80 anos do marido. Amiga virtual, descreveu os docinhos que fez ao me convidar para nos conhecermos.
Dia de comemorar a vida, a saúde, a família. Como é bom ver as pessoas chegando cada vez mais longe - semana passada, o tempo contou 5 anos da partida do meu pai a menos de 4 meses de completar 80 anos.
Me sentindo honrada com o convite, convidei o GPS para me acompanhar e lá fui eu desbravar as ruas desconhecidas de uma cidade vizinha.
No caminho, havia não uma pedra Drummond, mas um vale. Uma rua que desce íngreme e logo sobe mais íngreme ainda. Lá no final, um semáforo segurava os carros prestes a entrar na rodovia. No inicio da subida existe um semáforo que mede a velocidade máxima: 40 km/h.
Independente deste controle os carros nem saíam da 1a marcha. Motoristas sabidos mantinham distância de segurança uns dos outros. Subidona à vista.
Eu, parada, olhando o entorno, vi algumas senhoras bem arrumadas, com Bíblia na mão, caminhando juntas e conversando. Distraídas, atravessaram a rua sem perceber que estávamos em movimento lento parando dois metros depois.
Eu sai e logo parei. Continuei olhando pelo retrovisor. O carro que vinha atrás, havia deixado um espaço de um carro entre o meu e o dele, talvez imaginando que eu poderia dar uma "descidinha" porque foi isso o que ele fez ao iniciar o movimento.
O que ele não previu e uma das senhoras também não, foi que no exato momento da "descidinha", ela ainda estivesse passando por trás do carro.
Ela talvez não tenha sido motorista ou não seja tão ágil agora com seus belos cabelos prateados.
Eu, parada, aguardando o momento de andar 2-3 metros novamente, vi a senhora sumir atrás do carro. A "descidinha" do carro ao engatar a primeira, derrubou a vovó.
Imediatamente saíram do carro três homens que acudiram a senhora, levando-a nos braços para a segurança da calçada, enquanto o motorista procurava encostar e liberar o tráfego.
Até onde pude ver, a vovó conseguiu ficar em pé, já na calçada. Foi atendida prontamente e as amigas logo a rodearam.
Eu segui em paz, feliz em ver que o pequeno incidente não ficou sem atendimento.
Ah sim, e a festa? Foi maravilhosa.
Com o octogenário feliz cumprimentava a todos, no mundo dele, pois o Alzeimer lhe tira aos poucos a consciência presente, deixando apenas o passado na lembrança. O pastor a todos abençoou. A poetisa contou como eles se conheceram e citou momentos da vida deles em quase 50 anos de casamento.
Ela declamou um lindo poema de amor e confiança, dedicado ao seu príncipe e filha, emocionando os presentes. E assim, poetando a vida, ela comemorará seu aniversário em dezembro com o lançamento do livro que está no prelo.
Elianete Vieira
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Sete de Setembro – Independência do Brasil nos tempos de ditadura
a data em que o príncipe regente Dom Pedro, proclamou a Independência do nosso
país, oficializando o rompimento do vínculo de dependência que o Brasil tinha
com relação a Portugal.
Contudo o dia 7 de setembro tem uma importância especial também na minha vida de
estudante.
Quando pequena, nos anos após ditadura, minha mãe conta que, apesar de pobres,
nossa vida era boa, estudávamos em boas escolas municipais, e pudemos comprar
nosso apartamento em 36 parcelas iguais, sem juros e diretamente com o dono.
Ganhávamos uma roupa nova ao ano, não saíamos para almoçar fora, viajávamos a
cada três anos para visitar a vovó Antonia em São Paulo. Aliás, presente de avó
eram cortes de tecido para uma roupa nova adicional, que mamãe cozia. Meu
padrinho me dava boneca. Certa vez, no Natal, pedi para ele uma calculadora de
quatro operações para ajudar nos estudos da Escola Técnica, tinha meus 16 anos.
Porém, minha lembrança de criança é outra: lembro-me perfeitamente que fazíamos
a fila na entrada da escola para cantar o Hino Nacional, enquanto a bandeira
verde e amarela subia devagarzinho no mastro. Era uma honra esperada por todas
as crianças em ser a escolhida para ser as mãozinhas que hasteariam a Bandeira
Nacional naquele dia.
Eu, por ser a mais nova da turma, e menor também, era a primeira da fila e
portanto, tinha uma vista privilegiada. As professoras organizavam as filas por
altura e entoavam as primeiras sílabas do hino. Naquela época não se podia usar
bandeira fora de eventos cívicos, muito menos cantar o hino a qualquer momento.
Setembro, semana da Pátria, outro grande evento de minha infância.
Ensaiávamos na rua, onde ficava o ginásio e como seria organizado o pelotão, por
série e por altura. Todos marchavam alinhados, no ritmo da batida do
instrumento, pois parte da banda tocaria o Hino da Independência. Que hino
bonito!
Em sala de aula aprendíamos a letra e na rua, ensaiávamos a marcha. Entretanto
a expectativa era ser notada pela professora ou pela coordenadora para ser a
escolhida e ter a honra de carregar a bandeira.
Quando eu tinha 12 anos, fui a escolhida! Que emoção!
E no dia sete de setembro, lá fui eu toda orgulhosa, levando a Bandeira do
Brasil, linda, tremulando ao leve vento e separando dois pelotões de alunos. Eu
vinha à frente da minha turma da 6ª série. E sabem porquê eu fui escolhida? Eu
era a melhor aluna entre todos.
Infelizmente, não tínhamos câmera fotográfica, algo que naquele tempo somente os
ricos podiam ter, assim como eram eles que tinham refrigerante nas refeições e
brinquedos de corda.
Hoje, eu gostaria muito de poder mostrar aos meus sobrinhos, como era o dia Sete
e como eu levava garbosamente a Bandeira do Brasil ao vento.
Elianete Vieira
domingo, 4 de agosto de 2013
Crianças nascem já atualizadas com a tecnologia (Elianete Vieira)
1990 - Mariana procura pelo controle remoto da TV.
Sua mãe e tia estão descobrindo o uso do computador depois de estarem formadas e já são profissionais. Não nasceram com mouse nas mãos e estranham o "objeto".
Mas a menina de 2 anos encara um controle remoto para TV e outro para o vídeo cassete com naturalidade. As mãozinhas mal conseguem segurar o peso dos objetos, mas ela se vira tranquilamente.
A tia “dinda”, precavida, montou um similar colorido com Lego.
Mariana vai até o videocassete e empurra a fita previamente colocada. Em seguida, sobe no sofá com dificuldade pois é alto para ela, pega seu "controle" colorido e aperta um botão apontando para a TV para assistir seu desenho preferido.
A tia disfarça e pressiona um botão no controle verdadeiro. A pequena acredita que está controlando a TV. E ali fica assistindo a mesma história por horas, pois ao terminar grita “maix, maix” ou ainda “de novo, de novo” como aprendeu com o Baby Sauro.
2013 - Dani nasceu num mundo tecnológico, onde vidros "sentem" o toque de um dedo e executam uma ação. Onde celulares fazem fotos, tocam música, executam jogos e outros aplicativos, são usados como TV e até fazem ligações telefônicas.
A tia bate uma foto da menina enquanto brinca com a irmã Bia, que ainda sorrindo diz "qué vê, tia" e eleva as mãozinhas querendo pegar a câmera. A tia mostra fotos para ela que, com toda naturalidade e inocência dos 2 anos, fecha a mãozinha deixando o dedinho apontador em risque e o leva à câmera deslizando-o de um lado para outro.
“Mas que esperta! A danadinha já sabe usar tablet e pensa que todas telas são touch” pensa a tia já entendendo o que ela pretende.
Discretamente pressiona o botão que permite avançar ou retroceder fotos observando a satisfação da pequena sabida.
E assim, as três, veem as fotos da Festa Junina. Esta sim, tradicional como as festas de antigamente.
E o dedinho? Continua deslizando na tela da câmera, para lá e para cá...
Como será daqui a 20 anos, quando essa baixinha estiver com sua filha revendo fotos ou assistindo filme, ou ainda, fazendo alguma outra coisa mais moderna nos tempos Jetsons?
Elianete Vieira
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Voar, sonhar e vencer (Elianete Vieira)
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Brincadeira de roça (Elianete Vieira)
Brinca com os animais criados na casa como irmãos. Acompanha o crescimento das plantas e come tudo o que a terra dá. Divertem-se ao subir em árvores, colher os frutos maduros e saboreá-los na alta copa.
Os pequenos brincam com bichinhos e hominhos feitos de mangas pequeninas e verdes, unidas com palitinhos. Bolinhas de gude e amarelinhas. Pulam cordas feitas de cipó.
Os maiores, preferem peladas com bolas de meia. Esconde-esconde em meio aos cafezais ou milharal. Banhos nas águas geladas do rio. Catam coquinhos ressequidos perdidos no mato, quebram e comem a castanha interna. Foram deixados por ali pelos animais que já haviam chupado os frutos.
Pés descalços calejados pelos pedregulhos e com anticorpos do esterco deixado pelo gado ao pastar.
Certo dia, Zé, João, Dito, Bastião, Toninho, resolvem fazer uma aposta para ver quem comeria mais a fruta que achassem madura na plantação. Saem correndo da casa e se embrenham na parte do quintal onde os pais não estavam roçando naquele dia e encontram suculentas melancias começando a surgir sobre a rama.
Os meninos sentam em roda. Colhem um fruto cada um e, elevando acima de suas cabeças, soltam para que se quebrem ao bater numa pedra estrategicamente colocada.
Em seguida, enfiam suas cabeças no mar vermelho e doce, devorando com sofreguidão, cuspindo as sementes e logo buscando por outra melancia.
Tudo muito rápido, alguém teria que ganhar. Logo, o grupo mal podia levantar. Estavam afogados em suco.
Os pais quando souberam, foram atrás dos garotos e os encontraram lambuzados de melancia. Tocaram o bando de volta para casa, com o cipó que eles haviam rebentado dos pés de melancia.
O vencedor, além da merecida surra, ainda passou mal por algumas horas.
No dia seguinte, a garotada já estava pronta para outras brincadeiras e artes.
sábado, 4 de maio de 2013
Aventura dominical (Elianete Vieira)
Chega o dia tão esperado, um domingo, acordam com o canto do galo, se aprontam rapidamente e se deslocam de suas casas para a rodoviária onde se encontram.
- Bom dia amiga! É hoje! Está pronta?
- Nossa! Se estou! Morrendo de sono mas ansiosa pelo passeio. Vamos tomar um café para despertar, Chiquinha?
- Sim, claro, vamos, Maria. Ainda temos um tempo.
E lá se vão Maria e Chiquinha – quase – saltitantes pelos corredores ainda vazios da rodoviária até o bar onde saboreiam uma média e pão com manteiga aquecido na chapa.
Tão extasiadas estão e entretidas planejando o que fariam no destino, que se assustam quando ouvem seus nomes sendo chamados pelos autofalantes:
- Última chamada! – grita uma voz já irritada no início da manhã.
As duas amigas saem correndo, descem as escadas, chegam afobadas na plataforma de embarque, mostram as passagens e, rindo muito, sobem no ônibus prestes a partir.
- Ufa! Essa foi por pouco, não?
A viagem transcorre dentro da normalidade com duração de quatro horas de percurso e quatro paradas em quatro cidadezinhas no caminho. As duas tricotam um tanto e depois cochilam e refazem as energias para o dia que apenas começava.
Finalmente chegam ao destino. O dia ia alto, céu azul, pássaros cantando, passageiros se dispersam, elas olham em volta, fazem fotos para registrar o momento e vislumbram um local para almoçar um bom peixe frito típico do local.
- hummmm que delícia!!! – exclama Chiquinha.
Dali seguem para o evento que ocorria naquele fim de semana animando e colorindo a cidade.
Lá chegando comem tudo com os olhos, procurando memorizar cada detalhe, cada item exposto, observam as pessoas vindas de diferentes lugares atraídas pela mesma curiosidade que as havia atraído para aquele longínquo lugar, no único dia de semana de descanso do trabalho.
- Que maravilha, quanta novidade, se eu pudesse ficaria por uns dias aqui.
- Maria, que tal voltarmos noutro dia para conhecermos melhor a cidade?
- Uau! Que bela ideia, Chiquinha! Eu topo sim!
A tarde passa voando. Elas participam de um bate-papo muito animado e, quando se dão conta, faltam apenas 25 minutos para o ônibus partir. As amigas entreolham-se e buscam pela saída mais próxima sem nada falar de tanta afobação.
Chegam à rua, acostumadas com a cidade grande onde vivem, esperando encontrar um taxi disponível e à sua disposição bem em frente ao local, mas... onde estavam? Não havia dúvida alguma que ali não. Os minutos escoam pelos dedos acelerados pelo tique e taque dos relógios que anunciam a cada instante que o tempo se evapora.
- Meu Deus! Vamos perder o ônibus!
- Estamos tão perto que poderíamos ir a pé se tivemos mais tempo – comenta Chiquinha.
Fazem sinal para o ônibus circular mas o motorista lhes informa que passaria por outro bairro antes de voltar e passar pela rodoviária.
- Melhor irem à pé. – disse ele.
- Se tivéssemos tempos, iriamos mesmo. – pensa alto Maria.
Mas eis que o inesperado, o não planejado e nem de longe sonhado pelas amigas, acontece.
Um lindo príncipe em seu alazão branco vem em sua direção “pilotando” uma carruagem dourada enfeitada com flores e muito perfumada por elas.
- Amiga, vamos a cavalo! – alegra-se Maria.
- Boa tarde, senhoritas, querem fazer um passeio pela cidade? – convida o príncipe.
- Moço, queremos sim, agradecidas. Mas precisamos mesmo é pegar o ônibus em 15 minutos. – diz Maria.
- Uai, sô! Então eu as levarei para lá. Vamos subam! – Convidou o educado cavaleiro.
E assim, elas – quase – saltitantes, embarcam de volta aos lares, sonhando com o dia que retornarão àquela simpática cidadezinha onde príncipes salvam as princesas em perigo.
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Diversidade cultural (Elianete Vieira)
domingo, 3 de março de 2013
Herança da guerreira Tonha (Elianete Vieira)
Conheceu seu príncipe ainda criança. Viviam na mesma fazenda onde os pais de ambos trabalhavam. Cresceram e brincaram juntos. Brasilino, filho de italianos, não chegou num cavalo branco, mas juntos lutaram muito para mudar o rumo da vida, sempre em busca de melhoria para eles e os filhos.
Na roça nasceram, na roça se casaram, na roça criaram os filhos quando ainda pequenos. Tunica, como era chamada, contava que havia carpido pés de café até o final da luz do dia, naquele 25/09, caminhado quilômetros de volta para casa, e pouco depois de chegar, começou a sentir as dores do parto, nascendo uma bonequinha a quem batizou de "Erza", que só descobriu que seu nome de fato era Elza, em seu 1º dia de aula, aos sete anos.
Nascida e criada no mato, analfabeta e convivendo com lavradores italianos, possivelmente analfabetos também, Antonia não sabia a grafia e pronuncia correta de algumas palavras, nem sabia ela que falava italiano misturado ao português.
Mas uma coisa ela sempre teve forte dentro de si: - meus filhos estudarão e serão mais do que fui. - E assim fez. Quando chegou o momento dos filhos, cinco, estudarem, ela arrumou a mudança para a cidade, Espirito Santo do Pinhal, arranjou emprego na Votorantim e colocou os filhos na escola. De lavradora passou a operária, rapidamente aprendendo o novo ofício. Trabalhou até os 42 anos quando seu 6º filho, uma menina, nasceu morta.
Os filhos mais velhos dividiam o tempo entre a escola e a fábrica. A Elza, sua 4a filha, com 10 anos era a "dona de casa". Limpava, lavava e cozinhava para todos. Subia num caixote para alcançar a pia e fogão. Mas dava conta do recado. O irmão caçula teve mais sorte, pois teve mais tempo para brincar e estudar. Mas era mais rebelde e fugia da escola para brincar.
E assim, Antonia, analfabeta continuou, mas viu seus filhos aprenderem a ler e a escrever. Eles se diplomaram na 4a série primária, como era chamada na época essa primeira fase escolar. Mas ela já se sentia vencedora. Havia dado para seus filhos mais do que havia recebido de seus pais. Filhos operários e "com leitura".
Os 5 se casaram. Deram-lhe 17 netos que puderam estudar antes de começar a trabalhar. Com orgulho vó Tonha, como os netos a chamavam, viu suas primeiras netas se formarem na faculdade. Viu algumas netas se casarem. Viu os primeiros bisnetos nascerem.
Seu orgulho e realização eram gigantescos, porque sua meta havia sido superada pelos filhos que herdaram sua força e honestidade para o trabalho e multiplicaram seus feitos, dando-lhe mais conforto e estudos para seus filhos.
Tonha dizia aos filhos:
- Eu não tive nada. O pouco que lhes dei é muito para mim. Vocês tem que dar o dobro para os filhos de vocês. E eles o dobro também para os filhos deles. Sempre o dobro.
Quando uma neta foi trabalhar no estrangeiro, ela estava doente e chegou a ser internada. Ela dizia ao médico e aos enfermeiros que ela precisava viver para ver a neta chegar do estrangeiro e contar sobre a neve que ela não fazia ideia de como seria.
A neta ao chegar dos EUA após passar o mês de janeiro em treinamento em pleno inverno de Boston, foi visitá-la com dezenas de fotos e muitas histórias, além de um filme. Nos dias 13 e 14 ela ouviu atentamente as histórias, olhou e comentou cada foto, com olhinhos brilhando de felicidade e admiração, pela neta que mais uma vez a tinha feito superar mais um limite com sua viagem ao "estrangeiro", como ela dizia.
Ao despedir da neta no final da tarde de domingo, a neta lhe disse que ia trabalhar em Curitiba mas voltaria no sábado para vê-la. Ela respondeu informando que aquela seria a última despedida, pois ela estava partindo e não estaria ali no próximo final de semana. E ela estava certa. No dia seguinte, 15/02/1993, Antonia durante o banho disse para a filha: - "Erza estou partindo." - Tombou sua cabeça e dormiu para sempre.
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Realizando Sonhos (Elianete Vieira)
Muitos diziam que não chegaríamos ao ano 2000, que não viveríamos para ver a passagem do século porque o mundo acabaria justamente na virada de 1999 para 2000. Mas nós chegamos sim, vivenciamos este raro momento com muita festa e muitos fogos de artifícios.
Em um momento em que a era digital já invadia as nossas vidas, seja através da novela, gravada e transmitida de forma digital, seja pelas fotografias tiradas em câmeras digitais e impressas em papel por opção, seja pelos exames que antes eram chapas escuras com imagens mais claras e hoje são fotos impressas em papel ou até mesmo gravadas em DVD, se torna complicado para algumas pessoas que de repente se vem excluídas de um mundo que até então não lhe fazia falta, mas que filhos, sobrinhos e netos vêm agora lhes cobrando pelo aprendizado. Mas chegou o ano 2000 e logo em seguida como um passe de mágica chegou o ano 2001 quando de fato entramos no século XXI.
Quando eu era criança e as pessoas com mais de 50 anos já eram vistas como velhos, vi meu pai e tios se aposentarem aos 50 anos, eu pensava em 2001 como algo tão longínquo e não me imagina que ainda estaria viva para ver tudo o que ocorreria num momento tão grandioso.
Quando chegou, eu trabalhava como suporte à operação em uma companhia de telefonia celular, e o medo girava em torno dos vírus que poderiam ser ativados nesta virada de ano e ainda no que poderia ocorrer quanto aos programas de computador que até então consideravam ano com apenas duas casas: 95, 96, 97, 99... 00
Eis que por meses a fio, programadores do mundo inteiro viraram noites e noites para alterar o código de cada programa para considerar o ano como variável de quatro casas: 1995, 1996, 1997, 1998, 1999 e finalmente 2000.
Trabalhamos super atentos para garantir que nada falharia e que as centrais continuariam comutando as chamadas de boas festas e feliz ano novo que seus assinantes certamente fariam, pois tradicionalmente é a noite do ano quando mais realizamos ligações telefônicas, não é mesmo?
Bem, o ano 2000 começou e passou voando, vieram 2001, 2002 e eis que chegamos a 2010. Ano que ao menos para mim posso afirmar que foi o ano de mudanças diversas. Uma delas estava na resolução de Ano Novo: escrever um livro!
Mas sobre o que escrever? Um livro de ficção ou técnico? Criar cenários, personagens, tramas, escrevendo uma estória? Escrever sobre meus conhecimentos e vivências compartilhando com os futuros leitores? Por onde começar? Qual deveria a primeira linha a se escrever? Eram muitas as idéias e me sentia perdida em meio às indecisões, indefinições e ao mesmo tempo à ânsia de começar.
Em meio aos e-mails não autorizados que recebo diariamente veio uma dica: um workshop que me orientaria em como escrever um livro. Enviei o e-mail, marquei minha presença e fiz. Foi um sábado mágico em meio a uma turma heterogênea de conhecimentos, vivências, praticas e objetivos, ouvimos alguém que passou pelo mesmo momento e pelas mesmas dúvidas. Ele nos contou seus medos, preocupações, dúvidas e suas pesquisas. Fizemos exercícios práticos e ali, naquele momento, tive a certeza de que eu conseguiria sim escrever meu primeiro livro!
Mas as semanas se passaram e não vinha a inspiração criativa e a dúvida ainda persistia: sobre qual tema escrever? Até que o desejado e inesperado aconteceu. Dirigindo para casa pensei numa introdução. Cheguei em minha casa e escrevi: Introdução. A partir daí fluiu um texto sobre um tema por mim bastante conhecido pois faz parte da minha vida estudantil e profissional.
Foram duas páginas rapidamente redigidas. Enviei para minha sobrinha que perguntou: “quem escreveu?” E eu respondi orgulhosa: “fui eu!”
Como sou uma pessoa técnica iniciei o projeto pela formatação: escolhi o formato da página, tipo de letra e tamanho, texto para capa, agradecimentos e dedicatória. No dia seguinte parti para o conteúdo e ao completar 20 paginas, enviei para minha irmã e uma amiga lerem para sentir a reação delas. Percebi então que as havia surpreendido!
Neste ponto, as idéias já fluíam rápidas, os dedos ficaram nervosos para digitar mais e mais... e o livro crescia!
Que bom! Fui votar e voltei correndo para casa, queria escrever mais, já eram 94 páginas! Conforme escrevia, voltava, revisava, inseria imagens.
Até que me dei por satisfeita. Acabei o meu primeiro livro. 128 páginas, 116 imagens! Escolhi a editora, aguardei ansiosamente pela diagramação, capa, registro, até que num belo dia recebi em casa uma caixa com os 100 exemplares encomendados.
Meu Deus! Um sonho descongelado, materializado, quentinho saindo do forno!
Uma realidade palpável!
Hoje, um ano após o início do livro, estou aqui lhe contando como é possível superarmos adversidades, persistirmos em nossos planos, realizá-los e depois compartilhá-los como ensinamento e experiência para outra pessoa que ainda virá e passará por todos esses passos, como a água do rio que passa e gira a roda d água da vida.
Nunca é tarde para aprendermos algo novo!
Nunca é tarde para recomeçarmos!
Nunca é tarde para realizarmos nossos sonhos!
Elianete Vieira
Esta crônica foi escrita em final de 2011 e publicada no Volume II da Antologia Nossa História, Nossos Autores, lançada durante a 22ª Bienal Internacional do Livro de 2012 em São Paulo pelo Grupo Editorial Scortecci.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
E a primeira semana do ano chega ao fim! (Elianete Vieira)
Podemos estudar sobre culturas diferentes, nos aprofundar na religião que acreditamos, podemos ser lógicos e racionais, mas existem certos detalhes culturais que persistem com o passar das décadas e estão sempre presentes em nossas vidas.
Um novo ano se inicia e com ele as crenças, as dúvidas, as esperanças e, por maior que seja a religiosidade de cada um, o misticismo está presente em pequenos detalhes que, mesmo por brincadeira, muitos de nós seguimos como ritual de Ano Novo: como usar o branco (paz), um item amarelo (dinheiro), o vermelho (paixão) e por que não, o rosa para o amor.
Comer lentilhas, bolinhos de arroz, sobremesas brancas, evitar aves na ceia, pular sete ondas, guardar sementes de sete uvas ou três tâmaras na carteira, banho perfumado para o amor, flores brancas, espelho e perfumes para Iemanjá, etc. são formas de acreditarmos que algo possa ser feito em busca do amor, do novo trabalho, de mais dinheiro, da tão desejada paz que todos queremos para o mundo inteiro.
Não sei se os países que necessitam mais dessa paz possuem essa mesma crença, esse misticismo do branco e da pomba branca que representa Jesus e a paz. Mas nós brasileiros pensamos em todos quando comemoramos usando o branco.
Hoje, é primeira sexta-feira do ano e no Rio de Janeiro, muitos fiéis buscam pela tradicional bênção de São Sebastião, padroeiro da cidade, na Igreja dos Capuchinhos, na Tijuca. Pedem proteção para o ano inteiro numa tradição que começou em meados do século XIX, quando a igreja ainda ficava no Morro do Castelo (demolido em 1922).
É ainda o último dia útil de uma semana curta. Período de folga para aqueles que puderam emendar e curtir o final do feriado prolongando em pequenas férias, para viajar e curtir a família em algum lugar paradisíaco ou apenas tranquilo. No dia 1º e no dia 2, noticias de estradas lotadas mostraram que muitos retornaram aos seus lares enfrentando horas de cansaço, fome, crianças chorando, chuva em SP ou sol quente no Rio, para então retornarem ao trabalho e estão desejosos que esta 6ª feira termine rapidamente, agora sem transito na volta para casa, e curtir mais um final de semana em ritmo de férias.
Crianças em férias escolares é alegria na casa. Famílias aproveitando para curtir os baixinhos ao máximo. Por outro lado, cidades vazias com menos transito, rodizio suspenso na cidade paulista, facilitam a vida daqueles que deixaram as férias para outro período do ano, como eu!
E assim, um novo ano se inicia, com simpatias e orações para dias melhores. Esperanças que algo diferente ocorrerá esse ano. Sonhos que se realizarão neste 2013 que, de azar não tem nada, pois o jeitinho brasileiro fará destes 361 dias que faltam para o ano acabar, o ano de maior sorte de todos anteriores, com muitas realizações superando as tristezas e doenças que enfrentaremos, com saldo positivo de mais um ano muito bem vivido!
Um 2013 abençoado para todos!
Elianete
domingo, 30 de dezembro de 2012
Escritora Convidada: Elianete Vieira
Hoje é 30/12. Falta apenas 1 dia para o término de 2012.
Sempre que um momento especial se aproxima, olhamos para trás e buscamos pelo que falta para seguirmos em frente. Seja na véspera de prova, na véspera da tão sonhada viagem, na véspera de uma apresentação para a banca de mestrado, na véspera de nascer um filho, na véspera do casamento, etc.
E hoje como véspera do fim de 2012 se você ainda não fez a retrospectiva de seu ano, aproveite pois ainda dá tempo. Procure lembrar de tudo o que planejou e realizou. Do que deu certo ou nem tanto. Do que planejou e não fez, identificando o que faltou para essa concretização.
Passado revisto e concluído, vamos para as resoluções de Ano Novo. Mas não funcionará se partir do zero, de uma folha em branco, pois muitas coisas dependem do que já realizamos e como chegaremos às metas definidas. Observe dentre os itens que foram identificados no passado aqueles que estão próximos de realizar bastando um leve empurrão ou uma determinação a mais.
Não coloque para um único ano uma meta grandiosa demais para 12 meses. Mas coloque para este ano a parte possível de ser realizada. Exemplo: a compra da casa própria é meta a ser alcançada em vários anos consecutivos, considere para 2013 juntar a parte que precisará para a entrada.
Metas menores são mais possíveis de serem atingidas e nos fazem felizes em alcançar passo a passo.
Viagem, carro, casa, vestibular, 1o emprego, namorado, escrever um livro, rever alguém que não vê há anos, arrumar armários, pintar a casa, ler mais livros, etc. Seja o que for que estiver em sua lista, procure identificar os passos necessários para atingir essas metas e... Vá em busca de seus sonhos e realizações.
Adeus Ano Velho!!
Feliz Ano Novo!!
Que 2013 traga saúde, paz, amor, realizações e sonhos realizados.
Elianete Vieira é analista de Sistemas formada pela SESAT, Rio de Janeiro, pós-graduada em E-business e Gestão Empresarial e Gestão de Negócios em Serviços pelo Mackenzie em São Paulo. Trabalha em uma multinacional como gestora de contratos de serviço.
É autora do livro técnico/educacional Desvendando a Informática na Melhor Idade.
Participou da Antologia Nossa História, Nossos Autores, edição comemorativa dos 30 anos da Editora Scortecci, lançado em 10/08/2012. Está participando da Antologia Palavras Desavisadas de Tudo que será lançada em dez/2013.
Também é coautora e coordenadora editorial de Reciclando Vidas, livro de ficção escrito em grupo durante o curso "Tornando-se um Escritor" da Escola do Escritor, lançado em 17/12/12.
E a partir de 2013 Elianete Vieira será mais uma integrante do rol de escritores do nosso blog. Ela vai ocupar a data 04 que atualmente está vaga.