quinta-feira, 13 de junho de 2013
Vida (Marcio E. Ochner)
perfeição existencial,
de conceito defeituoso,
com áurea definida,
por números e de fins práticos.
Perfeição grega ,
com olhos materializados,
conjunto de linhas harmônicas,
uma canção matemática,
densidade areada,
perfeição singular.
Vento de captura sem defeito,
penhasco da arquitetura atemporal,
ofuscação comparada,
Paradoxal.
Marcio E. Ochner
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Amor Eletrônico (Marcio E. Ochner)
não ouço mais o seu digitar
sua voz, em pensamentos cala-se ,
crio o seu ser em mim,
mais vivo que a própria vida...
vida, você,
eletrônicamente.
Pensamentos...
Memória que foge as pressas,
nem mesmo dispersa,
em mim,
você cintila e dorme...
e eu te observo pixeladamente...
Marcio E. Ochner
sábado, 13 de abril de 2013
Cavidade (Marcio E. Ochner)
sai e não retoma...
paralisado,
pouca coisa se vê,
quinhão prolífero,
fragmenta-se em cores,
tomam corpo,
nada dizem...
Arremessa-se a desistência,
Causam dor,
Troca repentina de foco,
rende-se a inércia...
Convulsão muscular,
atalho acidentado,
foca sua extremidade,
no bolso outra superfície
amontoado de matéria,
corre a lingueta ,
abre caminho,
indolente momento,
nasce a lembrança,
atrasado...
peça que se fecha,
dispara...
Marcio E. Ochner
quinta-feira, 14 de março de 2013
Beijo (Marcio E. Ochner)
Em todo espaço
Algo que prende-se a pele
Que enlaça-se
Anda de cá pra lá
de sabor agradável
Florescência corporal
Que nos priva do calor visceral
Que nos freia ao ar
Como beija-flor
Que deflora
Que beija e permanece
Consciência íntima
Casualidade interior.
Marcio E. Ochner
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Revolta cipeira (Marcio E. Ochner)
Cansado de chamar a atenção dos funcionários, revoltado, o chefe da fábrica solta: “Do jeito que estão fazendo cagada, terei que exigir que os Cipeiros coloquem no mapa de risco desse setor um círculo enorme, para Risco Biológico”.
Saiu falando alto para todos ouvirem. Mesmo com toda aquela barulheira das máquinas trabalhando no pavilhão, conseguia-se ouvi-lo até na Recepção. Novamente, enquanto chamava a atenção de mais alguns que por ali seguiam, andava apressadamente de uma máquina a outra... “Tá errado aqui, tu não está vendo?... Afrouxa lá, porra, vai arrebentar a maldita máquina...”
Beneto, cansado, seguia novamente para sua sala, nervoso, resmungando. Ainda estava tentando digerir aquelas conversar dos Cipeiros, que se reuniam na sala ao lado. Ele os escutava entre os biombos: naquela conversa tratavam de um tal Plano de Emergência... Beneto pensava: “Que merda é essa?” Permanecia ouvindo os discursos, cujo clamor adentrava a parede de plástico. Ele, quase que colado ao forro, escutava o plano. Nisso vê um de seus funcionários seguir para o refeitório, segue logo atrás, aproveitando para apanhar o maço de cigarros, fumando um no mesmo instante. Acompanha-o até fora da fábrica, deu suas baforadas e falou: “Que é isso, Zequinha, é café, não coca-cola, pega um copo menor, rapais... Já terminou o que tinha para fazer”? Nisso responde o Zequinha: “Não, Beneto, mas o novato ta cuidando da máquina...” Irritado, larga: “Tu deve ta ficando doido, se ele fizer merda lá, tu é que vai levar a comida de rabo, rapais! Deixa pra toma isso depois, vá cuidar da máquina...” E o Zequinha abandona o copo e sai apressadamente. Chegando lá, conversa com seu companheiro de trabalho e aguarda mais ou menos uns 10 minutos na máquina, quando então a desliga. Zequinha chama seu companheiro para tomar um café.
Beneto, ainda no lado de fora, saboreando um café fresco que acabara se sair do coador, logo após o terceiro cigarro, vê os dois seguindo na direção dele, observa atentamente. Largou um e tirou o quarto cigarro, acendendo. Comenta, baforando: “Ta bom o café? Parece que ta, né? Vocês dois devem achar que pago vocês pra ficar tomando café, não é? Estão esperando o quê, ai parados, o final do mês pra receber? Já pro trabalho vocês dois, tenho que entregar aquela encomenda até sexta-feira. Vamos lá...”
Saem em disparada para a linha de produção os dois funcionários da fábrica que nunca para, nem para café, muito menos para conversas aleatórias.
Beneto ainda reclamando: “Não sei para que o Plano de Evacuação! Vivem aqui fora tomando café. E quando estão nas máquinas, fazem a melhor função retilínea que eu já vi na história, só cagada, uma atrás da outra!”
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Aturdido (Marcio Erino Ochner)
Ecos sinuosos de manuseio manhoso,
borboleteiam sobre a cabeça mecanicamente pensante...
saboreando o gosto amargo do metal batido...
sorvido em pequenas moléculas postas em um limitado frasco...
num pressionar de dedos, coagindo, libero a tampa...
Solução contínua, escorrega numa fração metálica,
promovendo ação inversa ao ato impensável tomado provisoriamente...
Pressionado por impulsos... tão pensante corpo promove recuo num expurgo atômico o maldito carcomido...
terça-feira, 24 de julho de 2012
Tempo (Marcio E. Ochner)
Nas horas que cabiam, observava as paredes perdidas ao movimento do tempo, desconcretavam-se virando areia...
Das folhas verdejantes que se abriam ali em caminhos fissurosos, desconstruíam o homem, sem ele mesmo notar.
Cada tijolo vibrava ao novo dia, perdendo sua cor majestosa, pela imponência solar.
Cada vivente que passava ali, nem o viam-no passar...
Pois o tempo estava ocupado, trabalhando na massa nuclear.
sábado, 23 de junho de 2012
Insanidade (Marcio E. Ochner)
Nele a reprodução da minha face.
Jogo-me num instante à eternidade do tempo,
Que se consumeem pensamentos, tedioso,oxidoem vazios.
Nunca achei que fosse tola de acreditar,
De que eu abandonaria o seu colorido,
Você é a luz que enche minhas noites.
És minha inspiração nos dias, em que, não passa de um momento escuro,
Sei que isso logo passa,nesse momento, ficarei dias sem nota-la,
Mais juro que tentarei enxerga-la doutra maneira,
Mais o que sinto, não posso deixarde expressar,
Parece ser pouco, somente para quem nunca teve algo,
é...
Você é meu todo...
Minha insanidade.
Carta para: Cintia P. Ochner
quinta-feira, 22 de março de 2012
Nômade (Marcio Erino Ochner)
Sofia quando experimentava inferências da vida,
Berrava às paredes fissuras em massa corrida...
Seu corpo golpeava-se ao absorver ares impuros,
Gritava perdidamente em devaneio.
Nesse momento, tocavam em seu interior,
Notas impuras, que cheirava a charuto e pinga,
Gritavam, maldita, maldita...
Não servia sequer para passar daqui pra lá,
Continuava estreitando-se, até ficar só.
Sofia dava para quais quer motivo de pudor,
Nesse espaço mundano, era exemplo de vergonha...
Havia maldade em seu interior,
Existente de particularidade putativa...
Fora desse, manufaturava bem pior,
Gritando aos leões, que se alimentavam de sua face fétida, impura...
Urgindo, tateavam em seu corpo impuro ao gozo da carne humana,
Mastigavam, comiam-na.
(Marcio Erino Ochner)
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Livro (Marcio Erino Ochner)
Depois de um turbilhão de ar,
Somente me restaram algumas palavras,
Estavam tão desconcertadas, que nem amara alguma deixou...
Foi o vento, que carregou consigo algumas palavras dele...
O texto, totalmente desconcertado e interrogativo pairou no ar.
Sem perguntas, as palavras apontavam somente o desprendimento do texto.
Na grafia desconcertada pelo evento, havia sentimentos a serem preenchidos.
Dentre outros modos encontrei alguns pedaços de fita em minha mente,
Então resolvi colar, envolvi-os com se fossem tinta sobre o papel...
Devolvendo-lhes a vida que o vento havia levado.
Adormecido entre a pena e o papel,
Num sonho onde minhas visões eram palavras,
Preto e branco, mais que voavam em liberdade numa folha de papel,
Nelas, o colorido nos olhares, daqueles que se detinham ao absorvê-las.
domingo, 22 de janeiro de 2012
Tempo... (Marcio Erino Ochner)
Nem querer,
Na corrida cerrada,
Que cessa ao tempo que passa...
Num momento cruel,
Sem compaixão,
Num oposto sentimento...
Das fotos recortadas sobre o espelho,
Dos amigos que refletiam a mão passada,
Do prato à mesa,
Na comida sem sabor,
Do vazio sem gosto,
Da amarga certeza...
Num pequeno momento,
De luz ofuscante,
No penduricalho que cai,
Do aparelho que vibra ao abrigo da mesa,
Nele anunciava o fim,
Cai e se parte em pedaços...
Cala-se a risco da vida .
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Sonho (Marcio Erino Ochner)
Pensamento que me vigora a cabeça,
Tentativas ao acordar, sem sucesso...
Com olhar fixado à escuridão do campo de visão...
Foco na conjuntura superior,
Me levo a ao fruto da demência.
No estremo do corpo...
Dentro da alma,
Nela, uma força que me atingi, e me revigora...
Traz consigo um sabor iluminado.
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Aquiescera inseto (Marcio Ochner)
Com desprezado pensamento...
Um artrópode de asas sem poder voar,
De três pares de patas sem poder caminhar
Sem graça até no nome.
Matéria com base característica,
[Uma interjeição].
Numa dobradiça, fecha-se a uma âncora,
Lança ao mar.
De intelecto inferiorizado e pesado sentimento,
Foram ao fundo,
Sem emoção ou excitação,
Cessa a pratica,
Asfixia-se.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Primavera (Márcio Erino Ochner)
Nas desbotantes folhas do ipê roxo...
dá-se a primavera...
...em seus secos galhos o companheiro inseparável...
...o cantarolante sabiá...
...que avisa o passear do tempo.
Tempo que grita ao vento... que de longe se vê...
...nele, uma estrada vazia...
...de insistente rumo ao oeste...
de pés enterrados na vermelhidão horizontal...
...pequenas formas coloridas que espargiam um cheiro agradável.
no trânsito, verdejantes moitas parecem ter mais vida,
insistentes, dividem espaço entre lenheiros desfolhados...
...disputando o sol... que nota-se mais pálido na primavera.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Sou como a chuva que vem (Marcio Erino Ochner)
Ao intenso céu azul... escuro...
Distingue o verde das folhas balançantes,
Telhados sujos pelo barro leve,
Sobe num formato de cone,
Que segue notando outras folhas secas caídas ao chão,
Num giro... levanta voos extraordinários,
correm sem direção, lambendo o chão como vassoura...
limpa a sujeira do tempo,
pega carona num voo sem volta, e se vão...
Sabe-se lá pra onde, somente passam...
Seguem.
E o que resta, é sombra de um reflexo tardio,
De um sol que se foi...
embora outras vezes também...
Esconde-se ao longe da montanha minúscula.
Nuvens negras baixam com cara de trovão
Que brilham em gotas de água que cai, arrastando-se nas corredeiras,
Purificando a vida fétida.
De cursos passados, deixadas às moscas.
Chuva esta, que rasga o chão em sinuosas linhas, salpicam folhas,
Arrancam impurezas e levam ao respirar da natureza.
Como um sopro, mudam o ar rarefeito por um frio agitado,
De olhar aguçado, de alma perdida no gotejar chiante...
Chuva, que reviva cores, que lava pensamentos...
Mas que logo passa...
Nesta vida de terra idosa que, ainda suporta fenômenos,
de ordem determinada, mesmices...
Mudanças que aliviam, que revivem...
Afogando a poeira quente...
Refrescando ânimo, repetindo memórias...
de cheiro agradável.
Autor: Marcio Erino Ochner
sábado, 23 de julho de 2011
“Ô Trem que nunca para” (Marcio Ochner)
Lembrança que provoca insanidade,
Apontamento de frações indivisíveis,
intelecto desordenado,
Anda igualmente a um trem,
Que nunca para,
Nem por razão alguma...
Atropela e mata,
Maldito órgão de transporte carregado.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Solidão (Marcio E. Ochner)
Juntava-se ao álcool do copo sobre a mesa,
Acreditava que a libertava de algo.
Desmemórias existiam naquele instante...
A única coisa que restava dar cabo, era a sua própria vida,
Na falta de um amor,
Da vida sem amigos,
Desejava insistentemente,
Dar cabo naquele instante...
Afogava-se no álcool do copo sobre a mesa.
Largava seus pensamentos na esperança de um vestígio vital,
Devaneios empoeirados,
Variava entre idéias do copo sobre a mesa...
Mais seu único e inseparável companheiro, era a solidão.
Corria em seus pensamentos...
Desnuda de insanidade...
Numa rua obscura de densidade rasteira,
Seu coração encontrava-se cansado...
De amor que nada obteve...
Morreria sem a palavra correta para descrevê-la.
Desenhava seu sentimento de alusões sobre a mesa.
Corria entre os dedos...
De olhos apurados,
Deparava-se com as mãos ao joelho,
Chuva...
Escorria-lhe as lágrimas ante seu olhar pintado,
Aguardava,
Seu amor que já partiu,
Novamente a solidão,
Num copo,
Que quebra,
morre.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Acessão (Marcio Ochner)
Muita água corre,
logo ali, abaixo da ponte.
Rio que sorri em suas curvas,
a cessação da vida...
de Ph vazio e sujo...
Escória mortal...
Sedento por morte...
Então, cospe a penas secas...
Não, não da para obtê-la,
Há moléculas mortais,
Borra sorvida em água...
Sedenta por filtro humano,
Molecular sustento excremental,
Que desliza, move-se sobre a água...
Onde a visão novamente alcança...
um pouco mais de coisa mal feita,
correspondência navegante...
Que alivia somente o que o vento transporta,
Alimentando voantes ovíparas pretas,
de carniceiros bicos e fome mortal...
Da morte natural que flutua ao abrigo dela.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Dicionário (Marcio Ochner)
ponto nuclear,
expansão gráfica,
elementos ultravocabulares.
embrulho sintático,
de função demolitiva.
decapitação maciça,
peça de pressão erudita,
mecanismo expansivo...
Aliteração.
quarta-feira, 23 de março de 2011
Poesia (Marcio Ochner)
formas rebuscadas de intenções...
manchas escuras...de sentimentos e inversões,
apontadoras dominantes que distraem-se no deslizar do lápis...
coisas que esboçam na cabeça de desordenada linguagem...
Simplesmente lançadas... instigando algo,
extraindo um pouco da ansiedade que mora em mim...
desenhando a sombra que se esconde do sol,
em porções pequenas...
preto e branco.