Sonhar é saudável
Nos leva ao futuro que gostaríamos ter
Aos lugares que queremos visitar
Às posições profissionais que um dia viremos a estar
À presença no altar com o amor se casar.
Sonhar é planejar
Marcar as férias, agendar hotel e passagens
Traçar a rota e lugares a visitar
Além das reservas para gastar
E preparar a câmera para fotografar.
Sonhar é se preparar
Com cuidado, os cursos, escolher
Uma boa empresa selecionar
Cumprir os pré-requisitos para se promover
E a posição profissional almejada alcançar.
Sonhar é lutar
Vencer as barreiras escolares
Vencer a concorrência por vagas
Vencer o dia a dia estafante
Vencer o trânsito nas grandes cidades.
Sonhar é dormir cansado
Rolar na cama insone
Ou deitar e apagar num sono profundo
Ou ler um livro para relaxar
E assim, acordar leve para um novo dia.
Deitar e olhar as nuvens correndo
Formando imagens conhecidas
Também é sonhar
É nesse momento que nos imaginamos no amanhã
E enxergamos nosso eu futuro.
Sonhar é realizar
As ações executar
As vitórias comemorar
E aí sim, teremos a certeza
De que tivemos muita sorte.
domingo, 3 de novembro de 2013
Sonhar (Elianete Vieira)
terça-feira, 29 de outubro de 2013
Escritor Convidado (Marcos Santos)
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Voar, sonhar e vencer (Elianete Vieira)
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Metrô (Inacio Carreira)
O olhar bate em um livro diferente. Formato fora do padrão de best-seller. Capa alaranjada. No miolo, partituras. Observo o título. La bohème... Quem segura tal livro? Um jovem ma non troppo... Olhos grandes, cabelos rareando, echarpe protegendo o pescoço. Cantor? Sim, talvez, nunca vi músico protegendo a garganta. Lembram do Pavarotti? Sempre com suas echarpes em volta do pescoço, agasalhando sua voz privilegiada e dando-lhe um ar de Prima Donna, ou melhor, Primo Uomo, que de Donna ele não tinha nada... E esse aqui, do metrô?
Nas mãos, o livro e uma lapiseira. Pentel. Amarela. Que, ao virar a página, segura entre os lábios. Ao achar o local desejado, resgata a lapiseira e escreve, faz marcações. Específicas. Talvez em suas árias, quando terá que praticar o staccato, o allegro, adagio... Tanta coisa... Quanto conhecimento! Estava com um blusão da Accademia Europea di Firenze, fizera lá um curso? Ou era professor em intercâmbio, trazendo o conhecimento milenar da música clássica aos nossos jovens? Sim, olhando bem, prestando atenção na atenção que o homem dedicava ao seu livro, onde aparentava estudar com afinco La bohème, ópera de Giacomo Puccini, com libreto de Luigi Illica e Giuseppe Giacosa, baseado no livro de Henri Murger, Scènes de la vie de bohème: estreou no Teatro Regio de Turim a 1º de fevereiro de 1896, sob a regência de Arturo Toscanini. Como eu sei tudo isso? Google, cara, Google... E, no Google, a Wikipédia.
De repente apagam-se as luzes, as rodas guincham nos trilhos (como guincham as rodas do metrô, já ouviu? Sim, metrô é um trem, mas é bem mais rápido e mais leve, talvez esse o motivo do grande barulho). Não cheguei a cair (estava de pé), segurava nos apoios do teto e perpendicular ao chão, foi minha sorte. Muita movimentação, choro, o cheiro de excremento de cavalo começou a tomar conta do ambiente.
A iluminação era pouca, tochas, pareciam, velas, luzes bruxuleantes. Do chão, eu tentava apoio para colocar-me na vertical, posição que deu, ao homem, status privilegiado sobre os outros animais, além de deixar as mãos livres para outros afazeres: carregar objetos, lutar, perscrutar, amparar... Consegui, enfim, e por pouco não sou pisoteado por uma carruagem puxada por quatro cavalos... – Não olha por onde anda? (Nem sabia por onde andava, como ia olhar? Ai, o olhar estava baço, onde estava?) À sua frente, imponente edifício. Vem à mente a informação de que “as origens do teatro (o Teatro Regio, de Turim, as coisas começam a fazer sentido) datam do início do século XVIII, quando Vittorio Amedeo II decidiu encomendar ao arquiteto Filippo Juvarra o projeto e a construção de um grande e novo teatro, dentro do desenvolvimento urbano da Praça Castello”... Êpa, seria eu, agora, um receptor de informações? Teriam instalado um chip em meu cérebro e estava, então, em contato direto com a World Wide Web – www?
O apagão no metrô... O homem com a partitura de La boèhme... Sim, ele desce da carruagem, quase pisa em minha mão, está acompanhado por várias pessoas tão bem vestidas quanto ele... Ao pisar na plataforma de madeira, à guisa de calçada, que separa a rua – imunda, coberta de excrementos -, antes de entrar no Teatro, é ovacionado.
Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa, em sua Saudação a Walt Whitman, de 1915, brada: “Bebamos isto como um remédio amargo / E concordemos em mandar à merda o mundo e a vida / Por quebranto no olhar, e não por desprezo ou aversão”...
Mas não é disso que estou querendo dizer. Ou melhor, eu pensava, agora, qual a razão dos atores desejarem, ao invés de Sorte, ou Boa Sorte, Merda... Que inclusive é título e tema de uma canção de Caetano Veloso, gravada ao vivo em 1986, com a parceria de Chico Buarque...
Novo curto-circuito cerebral e vi, em tecnologia 3D (sem óculos, só a força de vontade, ou seja lá o que seja) três justificativas à saudação, sendo que a primeira veio dos palcos, mesmo: segundo minha diretora de teatro dos tempos de colégio, no Instituto de Educação Canadá, em Santos, a expressão teve origem na Grécia Antiga. Segundo ela, “naquela época os atores se apresentavam em anfiteatros e suas peças, por serem bem críticas, afetavam os políticos ou alguma classe social. Enfim, se eles não gostassem das críticas representadas naquele fenômeno que era o teatro, atiravam merda nos atores. Por ironia do destino, os atores não ficavam por baixo com isso, porque quanto mais merda era atirada neles significava que mais repercussão teria o espetáculo. Afinal, eles tinham conseguido seu objetivo. Eles estavam lá era pra incomodar mesmo!”...
Acordei com saudades daquele tempo, em que os políticos tinham vergonha na cara. Hoje dizem, simplesmente, que ignoram os fatos... Ou seja, que são ignorantes! Depois da Lei da Ficha Limpa, que venha a Lei da Ficha Inteligente, urgente...
Inacio Carreira
domingo, 15 de julho de 2012
O livro mágico (Sônia Pillon)
Angelina abriu os olhos e se virou em direção à vidraça do quarto, iluminado pela lua cheia. As cortinas com babados balançavam com a brisa da noite, e a menina sentiu uma vontade irresistível de pular a janela e ir para o jardim. Olhou para as bonecas de pano enfileiradas na estante:
- Vocês não podem sair daí, mas eu posso!
Ela queria ouvir de perto o coaxar dos sapos, o som dos grilos... Ver os vaga-lumes e sentir o aroma das flores. Olhou para o relógio de cabeceira. Passava da meia-noite e o silêncio reinava na casa.
Ela se levantou decididamente, calçou os tênis, abriu a janela e pulou. Caiu sentada na grama úmida, molhou um pouco o pijama cor-de-rosa, mas não se machucou. Ficou rindo por dentro. Se sentia vivendo uma das aventuras da Narizinho, do Sítio do Picapau Amarelo...
Toby, o cachorro da vizinha, começou a latir logo que ouviu o ruído da queda da menina, mas parou, quando a reconheceu. Ao longe, pássaros cantavam, enquanto Lola, a gata de estimação, miava no telhado. No céu, estrelas cintilavam.O coração de Angelina parecia que ia saltar pela boca e os sentidos estavam cada vez mais aguçados.
Foi quando ela avistou um grande livro com capa dourada na escada da varanda. Curiosa, se aproximou e o abriu. Feixes de luzes coloridas saltaram em todas as direções e um grande portal de abriu. Corajosamente, ela atravessou o portal.
Fadas, duendes, faunos, centauros e ninfas pulavam e dançavam alegremente na mata iluminada pelo luar. Um sátiro tocava a Flauta de Pan, atraindo mais e mais dríades em suas vestes esvoaçantes. Ao verem a fascinada Angelina, a convidaram para fazer parte da festa, e ela passou a dançar também.
O Chapeleito Louco, Alice, Branca de Neve e os Sete Anões apareceram em seguida. Zangado preferiu ficar parado, com os braços cruzados e ar de reprovação, como sempre... Cinderela chegou com as fadas madrinhas. Mogli, o Menino Lobo, Aladim e sua Lâmpada Maravilhosa e Saci Pererê, com seu cachimbo, chegaram lado a lado. Mais e mais personagens da literatura universal se integraram àquela festa bizarra! Encantada, Angelina esfregava os olhos, sem acreditar no que via...
- Angelina! Angelina! Vamos, filha, acordaaa!
- Ai, mãe! Só podia ser sonho, mesmo! Era bom demais para ser verdade...
* Sônia Pillon é jornalista e escritora, nascida em Porto Alegre e radicada em Jaraguá do Sul desde 1996.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
O menino que queria mudar o mundo (Tiago Nascimento)
um menino pequeno de sorriso "facinho"
tinha um sonho, um belo sonho esse menino.
Queria mudar a ordem estabelecida,
mexer com o status quo da vida.
Era um sonho e tanto, imagina...
Mas o tempo passou, como sempre
e o menino mudou, ficou doente
adoeceu da doença maturidade
formou família, entrou pra faculdade.
E o sonho foi perdendo em detalhes,
foi sobrando nas listas de prioridades
e de tão ínfimo, o menino o perdeu.
A vida tal como é, outra vez a um rebelde venceu...
sábado, 28 de agosto de 2010
SONHEI VOANDO (Cristina Pretti)
Saí correndo ladeira a baixo
Com o incômodo no umbigo
daqueles que dá
quando a gente sente no vai e vem de um balanço...
Me fez sentir
que estava voando...
Fiquei leve...
Senti MEDO.
Voei mais alto,
como pássaro de asas grandes...
Sobre as copas de árvores robustas e frondosas,
levei comigo bandos de andorinhas.
Sobre prédios rasgando meu coração...
Sobre fios de alta TENSÃO...
Tive MEDO.
Voei areias brancas e o mar...
O sol acariciando meu corpo
Senti PROTEÇÃO.
Por nuvens brancas, macias, porém frias,
Congelei o MEDO.
DESPERTEI
Da janela do quarto entrava uma brisa da madrugada...
Finalizando o sonho com o começo de minha realidade.
Cristina Pretti (Artista Plástica) Blog: http://www.cristinapretti.blogspot.com/