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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Vivo para você (Elianete Vieira)

Aos poucos vou crescendo, ganhando forma e cores.
Observo tudo e todos à minha volta.
Sonhos, correria, vozes, silencio, dia, noite, vento, chuva, sooolllllll
Várias duas pernas passam e nem me olham.
Se não fosse a chuva me alimentar e o sol me fortificar, não resistiria uns poucos dias.
Pequenos tentam me tocar, mas tenho medo, espeto seus dedinhos xeretas.
Outros me tocam com carinho, sabem me acariciar e não se machucam. Alguns se aproximam para me sentir.
Para estes, libero meu aroma e meu mais belo sorriso.
Alegro seu jardim e sua vida.
Volte sempre.

imagem elianete

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Casa das Rosas (crônica perfumada) (Sônia Pillon)

 

“Uma rosa é uma rosa, é uma rosa...” O poema mais célebre da norte-americana Gertrude Stein aparentemente não diz nada, mas ao mesmo tempo diz tudo para os que apreciam a beleza, o colorido e o perfume singular de uma rosa, com suas pétalas aveludadas que deslizam nos dedos... “As rosas não falam... simplesmente as rosas exalam...”, já dizia o saudoso Cartola, em uma das suas mais belas e inesquecíveis composições.

Não por acaso, é uma das flores mais populares do mundo, cultivada desde a Antiguidade. Estudos apontam que a rosa cresceu nos jardins asiáticos há 5 mil anos. Na forma “selvagem”, teriam sido encontrados fósseis há 35 milhões de anos!... Cientificamente falando, pertence à família Rosaceae, com mais de 100 espécies e milhares de variedades...

Mas para os que apreciam o seu indiscutível aroma, esses detalhes técnicos pouco importam! Aos que cultivam, a satisfação vem com o desabrochar da flor, após todo o esmero com o plantio e os cuidados com a roseira.

Há os que gostam de presentear com rosas, como uma forma de expressar seus sentimentos de amor ou amizade. E para os que gostam de serem lembrados em datas especiais, ou surpreendidos por um buquê, receber rosas é muito prazeroso.

Portanto, quando entrei no palacete construído pelo arquiteto e barão do café Francisco de Paula Ramos de Azevedo -  a Casa das Rosas - espaço cultural da Avenida Paulista, bem no coração de São Paulo, fiquei bastante impressionada. A edificação,  aberta ao público, sedia exposições temporárias e saraus de poesias.

Imponente e requintado, o espaço proporciona uma volta no tempo. Os detalhes arquitetônicos se mantém praticamente intactos, assim como grande parte do mobiliário. Chamam a atenção os vitrais e a majestosa escadaria que leva aos aposentos superiores. Sem dúvida, um local perfeito para um filme de época!

Mas é no jardim, repleto de rosas, que o visitante mais atento pode captar toda a poesia do lugar! Elas estão ali, altivas e belas, fortes e frágeis ao mesmo tempo, enchendo os olhos de quem as aprecia e exalando um suave perfume... Fico tão tocada com a beleza e a magia do lugar que não resisto a cheirar uma das rosas e a registrar em fotografia... Como não levar uma perfumada lembrança da Casa das Rosas?...

 

Sônia Pillon é jornalista e escritora, autora residente dos sites de literatura Letras et Cetera (http://nanquin.blogspot.com.br) e Cooperativa das Letras (http://cooperativadeletras.wordpress.com).

 

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Valentine's Day (Sônia Pillon)

 Da janela da varanda, o vidro está banhado pela água da chuva. Os pingos escorrem um após o outro, rapidamente, enquanto o céu cinzento, os relâmpagos e os ventos uivantes sacodem as folhas das árvores. Acho que tão cedo não vou esquecer dessa chuvosa tarde de verão. Que coincidência irônica, pensei. O mau tempo parece combinar com o meu estado de espírito, como se solidarizasse com a minha dor, lancinante, dilacerante...


 A água que escorre pela vidraça se confunde com as lágrimas que insistem em cair pelo meu rosto, involuntariamente, por mais que eu as tente reprimir, por mais que eu não queira derramá-las. Chorar para que? Odeio me sentir assim, refém das próprias emoções! Não combina comigo. Não combina com a vida que escolhi para mim.


 Hoje todos estão comemorando o Valentine's Day, e o meu coração está apertado desde que acordei. O que mais vi foram flores, flores e mais flores, embaladas em belos ramalhetes, ou em vasos enfeitados... Casais apaixonados sorrindo pelas ruas. Um ar de felicidade no ar, acintoso, ferino. Até a minha vizinha da frente recebeu rosas vermelhas. Logo ela, que só pensa em trabalho?! E eu é que tive de receber a entrega!... Não é ironia demais?...


 E pensar que no ano passado, no Valentine's Day, eu estava transbordando de felicidade ao lado dele, naquele inesquecível jantar à luz de velas, saboreando aquela comidinha chinesa e bebendo aquele vinho rosè, que venceu as minhas últimas resistências... Como esquecer a magia daquela noite, e de tantas outras em que nos entregamos àquela tórrida paixão, esquecendo o mundo ao redor?...


 Ah!... No início, ficava contando as horas, os minutos e os segundos de cada dia, que pareciam intermináveis, até ele tocar a campainha. Bastava um olhar, um toque, e um turbilhão de emoções tomava conta de nossos corpos e de nossas almas... Tudo parecia tão perfeito naquela época!...


 Claro que esse idílio não poderia durar para sempre. Quando a gente se conheceu, e se  envolveu, acreditava que todas as diferenças podiam ser superadas. Mas não é o que todo mundo pensa quando está cego pela paixão?


 Mas logo vieram os ciúmes, as  brigas, as cobranças de um lado e de outro... No começo eu até que tolerava aquele futebol todo o santo domingo. Mas com o tempo ele passou a se ausentar o dia todo. Eu ficava em casa, vendo televisão. Que tédio! Depois ele começou a sair sozinho nos sábados também... Aquele bafo de cerveja quando voltava para casa, sempre bem tarde e super cansado... Estava na cara que tinha mais alguém na jogada... Foi a decisão mais difícil da minha vida, mas não dava mais!...


 A chuva continua caindo lá fora, porém com menos intensidade. Fico olhando distraída o movimento dos carros, enquanto imagens em flashback tomam conta dos meus pensamentos por alguns minutos. Ainda há nuvens no céu, mas lá no fundo já dá para ver o arco-íris se formando. Respiro fundo e solto o ar lentamente. Enxugo as lágrimas e fico admirando as cores do arco-íris. Amanhã acho que vou dar uma passada no shopping. Estou precisando dar uma repaginada no meu visual.


Sônia Pillon é jornalista e escritora em Jaraguá do Sul, Santa Catarina.