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domingo, 3 de fevereiro de 2013

Realizando Sonhos (Elianete Vieira)

para blog[1]


Muitos diziam que não chegaríamos ao ano 2000, que não viveríamos para ver a passagem do século porque o mundo acabaria justamente na virada de 1999 para 2000. Mas nós chegamos sim, vivenciamos este raro momento com muita festa e muitos fogos de artifícios.


Em um momento em que a era digital já invadia as nossas vidas, seja através da novela, gravada e transmitida de forma digital, seja pelas fotografias tiradas em câmeras digitais e impressas em papel por opção, seja pelos exames que antes eram chapas escuras com imagens mais claras e hoje são fotos impressas em papel ou até mesmo gravadas em DVD, se torna complicado para algumas pessoas que de repente se vem excluídas de um mundo que até então não lhe fazia falta, mas que filhos, sobrinhos e netos vêm agora lhes cobrando pelo aprendizado. Mas chegou o ano 2000 e logo em seguida como um passe de mágica chegou o ano 2001 quando de fato entramos no século XXI.


Quando eu era criança e as pessoas com mais de 50 anos já eram vistas como velhos, vi meu pai e tios se aposentarem aos 50 anos, eu pensava em 2001 como algo tão longínquo e não me ima­gina que ainda estaria viva para ver tudo o que ocorreria num mo­mento tão grandioso.


Quando chegou, eu trabalhava como suporte à operação em uma companhia de telefonia celular, e o medo girava em torno dos vírus que poderiam ser ativados nesta virada de ano e ainda no que poderia ocorrer quanto aos programas de computador que até então consideravam ano com apenas duas casas: 95, 96, 97, 99... 00


Eis que por meses a fio, programadores do mundo inteiro viraram noites e noites para alterar o código de cada programa para considerar o ano como variável de quatro casas: 1995, 1996, 1997, 1998, 1999 e finalmente 2000.


Trabalhamos super atentos para garantir que nada falharia e que as centrais continuariam comutando as chamadas de boas fes­tas e feliz ano novo que seus assinantes certamente fariam, pois tradicionalmente é a noite do ano quando mais realizamos ligações telefônicas, não é mesmo?


Bem, o ano 2000 começou e passou voando, vieram 2001, 2002 e eis que chegamos a 2010. Ano que ao menos para mim posso afirmar que foi o ano de mudanças diversas. Uma delas estava na resolução de Ano Novo: escrever um livro!


Mas sobre o que escrever? Um livro de ficção ou técnico? Criar cenários, personagens, tramas, escrevendo uma estória? Escre­ver sobre meus conhecimentos e vivências compartilhando com os futuros leitores? Por onde começar? Qual deveria a primeira linha a se escrever? Eram muitas as idéias e me sentia perdida em meio às indecisões, indefinições e ao mesmo tempo à ânsia de começar.


Em meio aos e-mails não autorizados que recebo diariamente veio uma dica: um workshop que me orientaria em como escrever um livro. Enviei o e-mail, marquei minha presença e fiz. Foi um sába­do mágico em meio a uma turma heterogênea de conhecimentos, vi­vências, praticas e objetivos, ouvimos alguém que passou pelo mes­mo momento e pelas mesmas dúvidas. Ele nos contou seus medos, preocupações, dúvidas e suas pesquisas. Fizemos exercícios práticos e ali, naquele momento, tive a certeza de que eu conseguiria sim escrever meu primeiro livro!


Mas as semanas se passaram e não vinha a inspiração criati­va e a dúvida ainda persistia: sobre qual tema escrever? Até que o desejado e inesperado aconteceu. Dirigindo para casa pensei numa introdução. Cheguei em minha casa e escrevi: Introdução. A partir daí fluiu um texto sobre um tema por mim bastante conhecido pois faz parte da minha vida estudantil e profissional.


Foram duas páginas rapidamente redigidas. Enviei para minha sobrinha que perguntou: “quem escreveu?” E eu respondi orgulho­sa: “fui eu!”


Como sou uma pessoa técnica iniciei o projeto pela formatação: escolhi o formato da página, tipo de letra e tamanho, texto para capa, agradecimentos e dedicatória. No dia seguinte parti para o conteúdo e ao completar 20 paginas, enviei para minha irmã e uma amiga lerem para sentir a reação delas. Percebi então que as havia surpreendido!


Neste ponto, as idéias já fluíam rápidas, os dedos ficaram ner­vosos para digitar mais e mais... e o livro crescia!


Que bom! Fui votar e voltei correndo para casa, queria escre­ver mais, já eram 94 páginas! Conforme escrevia, voltava, revisava, inseria imagens.


Até que me dei por satisfeita. Acabei o meu primeiro livro. 128 páginas, 116 imagens! Escolhi a editora, aguardei ansiosamente pela diagramação, capa, registro, até que num belo dia recebi em casa uma caixa com os 100 exemplares encomendados.


Meu Deus! Um sonho descongelado, materializado, quenti­nho saindo do forno!


Uma realidade palpável!


Hoje, um ano após o início do livro, estou aqui lhe contando como é possível superarmos adversidades, persistirmos em nossos planos, realizá-los e depois compartilhá-los como ensinamento e ex­periência para outra pessoa que ainda virá e passará por todos esses passos, como a água do rio que passa e gira a roda d água da vida.


Nunca é tarde para aprendermos algo novo!


Nunca é tarde para recomeçarmos!


Nunca é tarde para realizarmos nossos sonhos!


Elianete Vieira


Esta crônica foi escrita em final de 2011 e publicada no Volume II da Antologia Nossa História, Nossos Autores, lançada durante a 22ª Bienal Internacional do Livro de 2012 em São Paulo pelo Grupo Editorial Scortecci.

sábado, 10 de novembro de 2012

O medo que um livro ainda provoca (Ítalo Puccini)


Em 2009, lembro-me, foram retiradas mais de centenas de milhares de exemplares do livro “Aventuras Provisórias”, do escritor catarinense, radicado em Curitiba, Cristovão Tezza – o, à época, ganhador do maior prêmio de literatura do país, o Jabuti, com o romance “O filho eterno”. Isto devido ao chilique de alguns pais e professores alienados que argumentaram que o livro continha elementos “perigosos” para os adolescentes: alguns palavrões e referência a uma relação sexual. Como se na vida para além dos livros os adolescentes não estivessem em contato com esses “perigos”. Imagino que estes mesmos pais e professores tenham cortado as novelas televisivas de seus filhos e alunos também. Seria o mais coerente.


A falsa moralidade sofre com as diferenças.


Agora, 2012, deparamo-nos com a proibição do uso do livro “Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato, nas escolas, devido a uma ação, junto ao MEC, do Instituto de Advocacia Racial (Iara), que vê nesta obra a presença de trechos preconceituosos à cor negra.


A literatura era, para Monteiro Lobato, um instrumento de transformação. Literatura, para o maior escritor infantojuvenil que o país já teve, era a própria vida. Foi a partir da vida à sua volta que Lobato construiu sua literatura – tanto a adulta quanto a infantil, esta última alcançando uma repercussão inigualável até os dias de hoje. O Monteiro Lobato homem pouco difere do Monteiro Lobato escritor. Crente de que a literatura representava a vida, em sua obra Lobato deixa claro esta convicção. Seus personagens retratam pessoas próximas, retratam pessoas que existem na vida real, retratam modos de viver e de pensar, retratam uma linguagem que reaproximou o leitor do texto literário, porque coloquial e nem por isso menos inteligente.


Era, o autor, um nacionalista que acreditava na independência do Brasil através da independência econômica, e não era preconceituoso racialmente, como alguns afirmam em função de Negrinha ser apresentada numa posição inferior em sua obra, ou de Dona Benta ser uma empregada doméstica de cor negra. Quando discorria sobre as figuras negras inferiorizadas, ele apenas apresentava uma leitura crítica de uma realidade social da época.


A literatura é tão importante para uma sociedade justamente por permitir aos seus leitores o direito à liberdade de interpretação de um texto, o aprendizado do respeito às diferenças. Porém, ela não tira do leitor aquilo que ele traz dentro de si – no caso, o preconceito. Assim como não existem escritas inocentes, da mesma forma não existem leituras inocentes. “Toda história é uma interpretação de histórias: nenhuma leitura é inocente”, já afirmara o crítico literário Alberto Manguel. Não há como se ler algo sem relacionar a outro algo, ou já lido, ou já ouvido, ou já presenciado. É dessa forma que a leitura, seja ela literária, seja de jornais, revistas, de imagens, ou de qualquer outro meio, enriquece aquele que dela faz uso, desde que devidamente contextualizadas. Ler um livro ajuda a ler o mundo.


O ato de ler pressupõe uma leitura não somente de textos, de palavras escritas. Não somente de imagens ou de sons. Mas sim uma leitura de nós mesmos e daqueles com quem convivemos. Ler é, também e principalmente, saber ler a si mesmo e ao outro com o qual se estabelece uma relação de viver. E cada leitor constrói uma história própria de suas leituras, assim como cada texto apresenta também sua história própria. É preciso saber que a vida não pulsa somente na televisão ou nos best-sellers. Ela está, também, nos livros que provocam o leitor, que propõem um revisitamento às próprias vivências. Ela pulsa da mesma forma nos livros de um Cristovão Tezza, de um Rubem Fonseca, de um Marçal Aquino, de um Dalton Trevisan, de um Monteiro Lobato. Privar alguém de conhecer a vida por este meio é lhe cercear a liberdade de interpretar o mundo no qual está inserido, de aprender com o livro, este elemento de subversão que ainda provoca medo naqueles que querem ter o mundo para si e aos seus olhos como se fosse uma bola de futebol da qual se é dono.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Metrô (Inacio Carreira)

O olhar bate em um livro diferente. Formato fora do padrão de best-seller. Capa alaranjada. No miolo, partituras. Observo o título. La bohème... Quem segura tal livro? Um jovem ma non troppo... Olhos grandes, cabelos rareando, echarpe protegendo o pescoço. Cantor? Sim, talvez, nunca vi músico protegendo a garganta. Lembram do Pavarotti? Sempre com suas echarpes em volta do pescoço, agasalhando sua voz privilegiada e dando-lhe um ar de Prima Donna, ou melhor, Primo Uomo, que de Donna ele não tinha nada... E esse aqui, do metrô?


Nas mãos, o livro e uma lapiseira. Pentel. Amarela. Que, ao virar a página, segura entre os lábios. Ao achar o local desejado, resgata a lapiseira e escreve, faz marcações. Específicas. Talvez em suas árias, quando terá que praticar o staccato, o allegro, adagio... Tanta coisa... Quanto conhecimento! Estava com um blusão da Accademia Europea di Firenze, fizera lá um curso? Ou era professor em intercâmbio, trazendo o conhecimento milenar da música clássica aos nossos jovens? Sim, olhando bem, prestando atenção na atenção que o homem dedicava ao seu livro, onde aparentava estudar com afinco La bohème, ópera de Giacomo Puccini, com libreto de Luigi Illica e Giuseppe Giacosa, baseado no livro de Henri Murger, Scènes de la vie de bohème: estreou no Teatro Regio de Turim a 1º de fevereiro de 1896, sob a regência de Arturo Toscanini. Como eu sei tudo isso? Google, cara, Google... E, no Google, a Wikipédia.


De repente apagam-se as luzes, as rodas guincham nos trilhos (como guincham as rodas do metrô, já ouviu? Sim, metrô é um trem, mas é bem mais rápido e mais leve, talvez esse o motivo do grande barulho). Não cheguei a cair (estava de pé), segurava nos apoios do teto e perpendicular ao chão, foi minha sorte. Muita movimentação, choro, o cheiro de excremento de cavalo começou a tomar conta do ambiente.


A iluminação era pouca, tochas, pareciam, velas, luzes bruxuleantes. Do chão, eu tentava apoio para colocar-me na vertical, posição que deu, ao homem, status privilegiado sobre os outros animais, além de deixar as mãos livres para outros afazeres: carregar objetos, lutar, perscrutar, amparar... Consegui, enfim, e por pouco não sou pisoteado por uma carruagem puxada por quatro cavalos... – Não olha por onde anda? (Nem sabia por onde andava, como ia olhar? Ai, o olhar estava baço, onde estava?) À sua frente, imponente edifício. Vem à mente a informação de que “as origens do teatro (o Teatro Regio, de Turim, as coisas começam a fazer sentido) datam do início do século XVIII, quando Vittorio Amedeo II decidiu encomendar ao arquiteto Filippo Juvarra o projeto e a construção de um grande e novo teatro, dentro do desenvolvimento urbano da Praça Castello”... Êpa, seria eu, agora, um receptor de informações? Teriam instalado um chip em meu cérebro e estava, então, em contato direto com a World Wide Web – www?


O apagão no metrô... O homem com a partitura de La boèhme... Sim, ele desce da carruagem, quase pisa em minha mão, está acompanhado por várias pessoas tão bem vestidas quanto ele... Ao pisar na plataforma de madeira, à guisa de calçada, que separa a rua – imunda, coberta de excrementos -, antes de entrar no Teatro, é ovacionado.


Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa, em sua Saudação a Walt Whitman, de 1915, brada: “Bebamos isto como um remédio amargo / E concordemos em mandar à merda o mundo e a vida / Por quebranto no olhar, e não por desprezo ou aversão”...


Mas não é disso que estou querendo dizer. Ou melhor, eu pensava, agora, qual a razão dos atores desejarem, ao invés de Sorte, ou Boa Sorte, Merda... Que inclusive é título e tema de uma canção de Caetano Veloso, gravada ao vivo em 1986, com a parceria de Chico Buarque...


Novo curto-circuito cerebral e vi, em tecnologia 3D (sem óculos, só a força de vontade, ou seja lá o que seja) três justificativas à saudação, sendo que a primeira veio dos palcos, mesmo: segundo minha diretora de teatro dos tempos de colégio, no Instituto de Educação Canadá, em Santos, a expressão teve origem na Grécia Antiga. Segundo ela, “naquela época os atores se apresentavam em anfiteatros e suas peças, por serem bem críticas, afetavam os políticos ou alguma classe social. Enfim, se eles não gostassem das críticas representadas naquele fenômeno que era o teatro, atiravam merda nos atores. Por ironia do destino, os atores não ficavam por baixo com isso, porque quanto mais merda era atirada neles significava que mais repercussão teria o espetáculo. Afinal, eles tinham conseguido seu objetivo. Eles estavam lá era pra incomodar mesmo!”...


Acordei com saudades daquele tempo, em que os políticos tinham vergonha na cara. Hoje dizem, simplesmente, que ignoram os fatos... Ou seja, que são ignorantes! Depois da Lei da Ficha Limpa, que venha a Lei da Ficha Inteligente, urgente...


Inacio Carreira

domingo, 15 de julho de 2012

O livro mágico (Sônia Pillon)

Angelina abriu os olhos e se virou em direção à vidraça do quarto, iluminado pela lua cheia. As cortinas com babados balançavam com a brisa da noite, e a menina sentiu uma vontade irresistível de pular a janela e ir para o jardim. Olhou para as bonecas de pano enfileiradas na estante:
- Vocês não podem sair daí, mas eu posso!


Ela queria ouvir de perto o coaxar dos sapos, o som dos grilos... Ver os vaga-lumes e sentir o aroma das flores. Olhou para o relógio de cabeceira. Passava da meia-noite e o silêncio reinava na casa.


Ela se levantou decididamente, calçou os tênis, abriu a janela e pulou. Caiu sentada na grama úmida, molhou um pouco o pijama cor-de-rosa, mas não se machucou. Ficou rindo por dentro. Se sentia vivendo uma das aventuras da Narizinho, do Sítio do Picapau Amarelo...


Toby, o cachorro da vizinha, começou a latir logo que ouviu o ruído da queda da menina, mas parou, quando a reconheceu. Ao longe, pássaros cantavam, enquanto Lola, a gata de estimação, miava no telhado. No céu, estrelas cintilavam.O coração de Angelina parecia que ia saltar pela boca e os sentidos estavam cada vez mais aguçados.


Foi quando ela avistou um grande livro com capa dourada na escada da varanda. Curiosa, se aproximou e o abriu. Feixes de luzes coloridas saltaram em todas as direções e um grande portal de abriu. Corajosamente, ela atravessou o portal.


Fadas, duendes, faunos, centauros e ninfas pulavam e dançavam alegremente na mata iluminada pelo luar. Um sátiro tocava a Flauta de Pan, atraindo mais e mais dríades em suas vestes esvoaçantes. Ao verem a fascinada Angelina, a convidaram para fazer parte da festa, e ela passou a dançar também.


O Chapeleito Louco, Alice, Branca de Neve e os Sete Anões apareceram em seguida. Zangado preferiu ficar parado, com os braços cruzados e ar de reprovação, como sempre... Cinderela chegou com as fadas madrinhas. Mogli, o Menino Lobo, Aladim e sua Lâmpada Maravilhosa e Saci Pererê, com seu cachimbo, chegaram lado a lado. Mais e mais personagens da literatura universal se integraram àquela festa bizarra! Encantada, Angelina esfregava os olhos, sem acreditar no que via...
- Angelina! Angelina! Vamos, filha, acordaaa!
- Ai, mãe! Só podia ser sonho, mesmo! Era bom demais para ser verdade...


* Sônia Pillon é jornalista e escritora, nascida em Porto Alegre e radicada em Jaraguá do Sul desde 1996.

sábado, 18 de setembro de 2010

O Puxa-Saco (Marcelo Lamas)

Há tempo estou por publicar minha opinião sobre o comportamento do Puxa-Saco (PS). O risco é enorme, pois o PS tem uma grande virtude: a competência estraté­gica. Em todo batizado, casamento, show, encerramento, chá beneficente, jantar e velório, lá está ele ao lado da mesma pessoa.

Para identificar um PS, basta observar qualquer evento social. Ele estará próximo de alguém que tenha poder, status ou influência. O puxa-saquismo lateral, no mesmo nível, não existe.

O gaúcho Mario Quintana alertava: “sempre me senti isolado nessas reuniões sociais, o excesso de gente impede de ver as pessoas”.

Não se devem confundir as técnicas de um PS com a sintonia humana. Ela acontece quando duas pessoas se conhecem e percebem alguma afinidade, naturalmente. O PS cria a situação, premedita. É possível que odeie pei­xes, mas ao descobrir a afinidade do “alvo” com pescaria, compra equipamentos, estuda os tipos marinhos, consul­ta os entendidos e parte para o ataque.

O PS, quando vê a aproximação do seu alvo muda o tom da voz, interrompe uma conversa já iniciada e pode, até mesmo, sair de uma fisionomia fechada para um sor­riso aberto.

O alvo do PS, com o passar do tempo, percebe a necessidade química do dependente e passa a usufruir da espontaneidade, disponibilidade e voluntariedade. Daí se aplica o pensamento de Nélson Sargento: “Você finge que me ama e eu finjo que acredito”.

Até pensei em lançar o livro “100 maneiras de iden­tificar um Puxa-Saco”, mas lembrei que talvez fosse ne­cessário ter que puxar o saco de algum editor, para con­vencê-lo a acreditar no projeto. Então, peguei o rascunho e escondi no fundo do cofre que fica num lugar secreto. A chave reserva do cofre está com um amigo oculto. Se eu for sequestrado ou sumir do mapa, ele manda pra edi­tora.



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Marcelo Lamas
, autor de “Mulheres Casadas têm Cheiro de Pólvora”. marcelolamas@globo.com