Mostrando postagens com marcador crianças. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador crianças. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Um choque de realidade (Patrícia Grah)



Um dia desses, sai à trabalho um tanto apressada rumo ao banco. Para percorrer este trajeto sempre passo pela escola onde estudei quando criança, desde a pré escola. Neste dia, em especial, fui impedida de passar pelas crianças que atravessavam a rua, todas enfileiradas e de mãos dadas, exatamente como era feito no meu tempo.

Lembro como se fosse ontem, dos carros parados, alguns angustiados por prosseguir, outros olhando e sorrindo, achando "bonitinho". Esqueci minha pressa e por alguns minutos voltei no tempo. Sorri.

Comecei a refletir sobre a enorme simultaneidade relacionando aquelas crianças à mim, quando, naquele tempo, o país encontrava-se sob um momento histórico: o Impeachment do presidente Collor. Lembro que a professora deu uma aula explicando o que isto significava, afinal ouvíamos falar disso na TV mas não conseguíamos compreender ao certo o que significava. Eu entendi, mas nem me importei. Não poderia fazer nada! Eu não entendia nada! Eu era somente a criança que precisava de direcionamento até pra atravessar a rua! Os adultos é quem deveriam se importar com isto! Meu futuro estava nas mãos deles.

Agora, novamente nosso país encontra-se em um momento delicado e de muitas transformações, boas, por sinal!

Mas e eu? Mas e eu?

Pois é...

Pois é.

O tempo passou e tudo mudou. Não posso não mais me importar.


Agora sou eu a motorista do carro.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Brincadeira de roça (Elianete Vieira)

A garotada da roça vive solta em meio à natureza. Curte as intempéries do tempo.

Brinca com os animais criados na casa como irmãos. Acompanha o crescimento das plantas e come tudo o que a terra dá. Divertem-se ao subir em árvores, colher os frutos maduros e saboreá-los na alta copa.

Os pequenos brincam com bichinhos e hominhos feitos de mangas pequeninas e verdes, unidas com palitinhos. Bolinhas de gude e amarelinhas. Pulam cordas feitas de cipó.

Os maiores, preferem peladas com bolas de meia. Esconde-esconde em meio aos cafezais ou milharal. Banhos nas águas geladas do rio. Catam coquinhos ressequidos perdidos no mato, quebram e comem a castanha interna. Foram deixados por ali pelos animais que já haviam chupado os frutos.

Pés descalços calejados pelos pedregulhos e com anticorpos do esterco deixado pelo gado ao pastar.

Certo dia, Zé, João, Dito, Bastião, Toninho, resolvem fazer uma aposta para ver quem comeria mais a fruta que achassem madura na plantação. Saem correndo da casa e se embrenham na parte do quintal onde os pais não estavam roçando naquele dia e encontram suculentas melancias começando a surgir sobre a rama.

Os meninos sentam em roda. Colhem um fruto cada um e, elevando acima de suas cabeças, soltam para que se quebrem ao bater numa pedra estrategicamente colocada.

Em seguida, enfiam suas cabeças no mar vermelho e doce, devorando com sofreguidão, cuspindo as sementes e logo buscando por outra melancia.

Tudo muito rápido, alguém teria que ganhar. Logo, o grupo mal podia levantar. Estavam afogados em suco.

Os pais quando souberam, foram atrás dos garotos e os encontraram lambuzados de melancia. Tocaram o bando de volta para casa, com o cipó que eles haviam rebentado dos pés de melancia.

O vencedor, além da merecida surra, ainda passou mal por algumas horas.

No dia seguinte, a garotada já estava pronta para outras brincadeiras e artes.