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sábado, 9 de junho de 2012

Reminiscências no entardecer (Sônia Pillon)

Sentado na varanda, o aposentado mirava o horizonte, onde o sol se despedia e lentamente cedia espaço para a noite chegar. Era o momento em que ele gostava de se isolar com suas recordações. Nessas horas, não raro, soltava discretos suspiros e seus olhos ficavam embaçados. O movimento de vai-vem da cadeira de balanço combinava com o ritmo de suas memórias, entrecortadas e carregadas de nostalgia. Ficava lembrando da família, dos nove irmãos, da dura lida na roça, do breve tempo em que foi estudar no seminário, a mando dos pais, católicos fervorosos... E do dia em que deixou a pacata cidade do interior e se aventurou na capital, aos vinte anos de idade... Lembrou também dos estranhamentos, da difícil adaptação com o corre-corre, da luta pela sobrevivência, da distância da família... Da sua bem conhecida timidez, do primeiro casamento, da distância dos filhos, depois da separação... De quando refez sua vida e foi tocando em frente... As profundas rugas e a fisionomia cansada do octagenário revelavam angústias cuidadosamente guardadas. É bem verdade que ele andava muito esquecido, nos últimos tempos. Tentava lembrar o que tinha almoçado ontem, mas a memória não estava ajudando. “Velho é assim mesmo! O tempo vai passando, os anos vão pesando...” Mas se a memória de curto prazo o pregava peças, ele não esquecia dos tempos de menino, das longas caminhadas para ir à escola e das geadas no inverno. “Lá se vão mais de setenta anos! Quantos já se foram!”, refletia. Ele jamais conseguiu esquecer do dia em que seu avô se levantou bem cedo, se arrumou cuidadosamente, sem esquecer do precioso “rapé”, e rumou corajosa e decididamente até a porteira do sítio. Assustado com esse rompante, o então neto adolescente o abordou, no dialeto vêneto: - Onde é que o senhor vai, nono?, perguntou, apreensivo. - Vou voltar para a Itália!, respondeu o velho imigrante, convicto. Foi somente depois de muita conversa que ele conseguiu tirar aquela ideia fixa da cabeça do nono... Era a vontade de retornar à terra-mãe, história que com certeza se repetiu no coração de todos os imigrantes que chegaram ao Brasil e não conseguiriam fazer o caminho de volta... A noite chegou. Estava na hora de acender o fogão à lenha e se agasalhar, “porque o frio hoje vai ser de lascar”, pensou o idoso, enquanto se levantava lentamente e se dirigia à cozinha.


Sônia Pillon é jornalista e escritora, nascida em Porto Alegre (RS) e desde 1996 radicada em Jaraguá do Sul (SC).

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Hipocondria (Inacio Carreira)

“Dar nome a uma doença é apressar-lhe os avanços."
Stendhal



Seu pai sempre contava para todos, não sem uma ponta de orgulho, que o primeiro remédio que o filho tomou na vida foi o ácido acetilsalicílico. Talvez por ignorância, talvez por poder, com seu dinheiro suado, ajudar a manter a saúde do rebento, que quase arrebentou a mãe quando nasceu. O que pode, muito bem, ter sido o “pomo da discórdia” entre o casal, que seguiu se alfinetando pelos quase 50 anos que viveram juntos, antes que Tânatos os reunisse num longo sono: cada qual a seu tempo foi dormir, como se acostumaram em vida, talvez um tentando evitar a presença do outro.


Uma das primeiras músicas que chamou sua atenção, diferente das cantigas de roda, das marchinhas de carnaval, das paradas de sucesso extemporâneas, das danças da garrafa e outros tchans foi “O pulso”, de Arnaldo Antunes, ainda no tempo dos Titãs.


“O pulso ainda pulsa / O pulso ainda pulsa...”


A mãe, leitora anual do almanaque O Pensamento, preocupada com a saúde, sua e do rebento, que agora então arrebentava as roupas com o rápido crescimento, arrebentava os chinelos, tamancos, sapatos, parecia o Pé Grande (aliás, apelido que ganhou na rua, fazendo-o ficar irado e chorar como um bezerro desmamado, atrás da porta, porque “homem não chora”), saía vez em quando com pérolas como “O sofrimento é o melhor remédio para acordar o espírito” (Émile Zola); “A medicina fez, desde há um século, progressos sem parar, inventando aos milhares doenças novas” (Louis Scutenaire) e Uma grande invenção para humanidade não é criar vacinas ou descobrir curas de doenças termináveis, mas sim, acabar com a ignorância” (Andre Rachel): sabe como é, filosofia de almanaque, literalmente.


“Peste bubônica / Câncer, pneumonia / Raiva, rubéola / Tuberculose e anemia /”


Mas fez, essa filosofia, o jovem rebento arrebentado (caía muito, estava sempre com os joelhos esfolados, parece que excesso de falta de coordenação motora) pensar, cada vez mais, na preservação da vida. Na contrariedade que as doenças causavam. Nas dificuldades advindas de procurar médicos, hospitais, pronto-socorros, injeções, pílulas, cápsulas, comprimidos, xaropes, linimentos... E o paradoxo: tem que comer bem para ter saúde, tem que evacuar bem para ter saúde. Mas uma atividade não é o oposto da outra? Se o alimento custa caro, dá trabalho para o preparo, exige mil e uma operações porque, depois, num abrir de nádegas, despejar tudo – ou quase?


“Rancor, cisticercose / Caxumba, difteria / Encefalite, faringite/ Gripe e leucemia...”


Adolescente, ainda acompanhado por seus fantasmas, começou a pedir para a mãe que desse remédio para dormir. O mesmo que ela tomava quando o marido ainda não tinha chegado a casa e ela queria, quando de sua chegada, que a visse dormindo o “sono da morte”.


“E o pulso ainda pulsa / E o pulso ainda pulsa”


Não, onde já se viu um pirralho como você já viciando em remédio? Toma essa maracugina, que o homem da farmácia disse que não tem problema... Estava ele preocupado com vício? Queria era dormir sem lembrar o avô, morto ano passado; das péssimas notas no curso médio (que não estavam na média); das dúvidas sobre as poluções noturnas (ainda não as sabia com esse nome); das ereções na condução, quando lotada... Depois, em casa, o velho jogo do cinco contra um, quando resolvia suas crises existenciais à mão, no horário que devia estar preparando a lição de casa.


“Hepatite, escarlatina / Estupidez, paralisia / Toxoplasmose, sarampo / Esquizofrenia”


Quando, aos 16, começou a trabalhar, estafeta num hotel duas estrelas, sentia dor nas pernas de tanto corre-corre. Às vezes, acompanhada de dor de cabeça. Ou dor nos pés, pelos longos períodos que passava sem sentar-se. A moça da copa arrumava um comprimidinho, que ele completava assaltando a farmacinha da mãe, quando chegava à casa. Para escapar da dor de corno, pior que a de cabeça, dá-lhe analgésico. Desenvolvera tolerância medicamentosa à substância e, em vez de um, tomava dois, três comprimidos, dependendo se aquela que pensava ser a pior dor do mundo fosse acompanhada da não menos famosa “dor de cotovelo”, ambas sem referência na farmacopeia internacional.


“Úlcera, trombose / Coqueluche, hipocondria / Sífilis, ciúmes / Asma, cleptomania...”


Aos 18 anos, primeiro emprego sério após a dispensa do serviço militar, quando entrou no centro de educação de jovens e adultos para complementar o estudo médio e, quem sabe, candidatar-se a uma vaga no curso superior (teria que pagar, pois não tinha a sorte de ser diferente, era o mais comum dos comuns dos jovens. Nada que o colocasse na lista das benesses do governo populista, mais preocupado com perpetuar-se no poder do que em fomentar a educação).


“E o corpo ainda é pouco / E o corpo ainda é pouco / Assim...”


Com o salário, embora pouco, não tendo que dar quase nada em casa (o pai continuava com o mesmo orgulho idiota de quase duas décadas antes: ser o provedor da família), abriu uma conta na farmácia da esquina. Ficou o melhor freguês, bajulado pelo farmacêutico de plantão e as mocinhas, solícitas, sempre oferecendo o melhor antiácido, o lançamento em supositórios e suas várias utilidades (analgésicos, antiasmáticos, antieméticos, antigripais, anti-reumáticos, broncolíticos, cardiovasculares, espasmolíticos, estomacais, expectorantes, laxantes, psicotrópicos, sedantes e urológicos, entre outras). Tônicos para aperitivo (abrir o apetite) e hepáticos (para facilitar a digestão), vitaminas B, C, D..., enfim, todo o alfabeto latino, às vezes incluindo o cirílico, conforme a necessidade.


“Reumatismo, raquitismo / Cistite, disritmia / Hérnia, pediculose / Tétano, hipocrisia /”


Daí a comprar por atacado (quase levando à falência a antiga farmacinha da esquina, que agora parecia um shopping “da saúde”, o que fez com que os farmacêuticos, os estagiários em farmácia, as mocinhas do balcão e os moços da reposição do estoque, antes seus melhores amigos, virassem o rosto à sua passagem, na iminência de perderem o emprego) foi um pulo.


“Brucelose, febre tifóide / Arteriosclerose, miopia / Catapora, culpa, cárie / Câimbra, lepra, afasia...”


Foi quando o patrão, preocupado (ele, afinal, era um bom funcionário, salvo as idas constantes ao bebedouro, para ajudar a engolir o comprimido, ou diluir o extrato) pediu que ele procurasse ajuda profissional, psicólogo ou psiquiatra, pois ele deveria ser hipocondríaco. Hipo o quê? H i p o c o n d r í a c o, cara... Estado mental em que há depressão e doentia preocupação com a própria saúde, ou seja, o seu caso... Eu não sou médico nem nada, mas tá na cara. Outro dia passou no Fantástico, eu disse pra minha mulher: Já vi este filme.


“O pulso ainda pulsa / E o corpo ainda é pouco / Ainda pulsa / Ainda é pouco / Assim...”


O psiquiatra, o psicólogo e a enfermeira do posto de saúde do bairro aconselharam-se a abandonar os remédios. Procurar um grupo de apoio, algo como o A.A., talvez o N.A., ou o H.A. – Hipocondríacos Anônimos –, que ele poderia fundar, se não existisse. Mas como, agora, aprender a viver sem suas muletas, seus amigos, suas terapêuticas? Alopatia ou homeopatia, não importava o sistema, o importante era o método, os efeitos, as sensações que lhe proporcionavam. Na sua angústia, experimentou pela última vez – pois iria seguir à risca a orientação dos diferentes conselheiros – cada um de seus “agentes de cura”, cada um com sua particularidade, especificidade, cor, forma física, dureza, viscosidade, sabor...


Entre a depressão e a euforia repetia as doses, que eram replicadas depois, até que caiu, desacordado, ou quase. Um fundo de consciência deixava entrever, no fim do túnel, uma luminescência azulada, com sabor indefinido, de uma substância que ele precisava, ainda que lhe valesse a vida, experimentar. Pela última vez.


“Pulso / Pulso / Pulso / Pulso”



terça-feira, 10 de maio de 2011

Sem Olhar Pra Trás (Sônia Pillon)

Durante muito tempo fui uma pessoa dócil e boazinha, daquelas que não conseguem dizer um “não”. Na escola, perdi a conta das vezes que abri mão do meu lanche para os colegas e segui com fome. Deixava de brincar no parque, quando criança, para não sujar as roupas, e de sair com as amigas para ir aos bailes da escola, na adolescência, para não preocupar meus pais.

Enquanto as meninas da minha idade se ocupavam com as roupas da moda e maquiagens, geralmente ficava em casa. Quando não estava estudando, me refugiava na literatura, que me permitia viajar pelos lugares mais distantes e viver as mais loucas aventuras.

Conheci Leônidas, o meu primeiro namorado, quando tinha 18 anos. Eu era tímida e insegura como uma Gata Borralheira, e ele, exatamento o contrário! Me acostumei que ele decidisse sobre minhas roupas, os filmes que assistíamos, os amigos e os lugares que visitávamos. Apaixonada, aceitava suas imposições sem protestar, com medo de perdê-lo.

Depois que me formei em Pedagogia na Unerj, comecei a trabalhar com educação infantil. Queria atuar também no ensino médio, mas Leônidas me fez desistir da idéia. Nos casamos seis meses depois da formatura, e a partir daí conheci o inferno! As crises de ciúme de Leônidas, que antes me envaideciam, por considerar uma prova de amor, passaram a me sufocar. - Por que você se atrasou hoje, Catarina? Quem era aquele cara com quem você estava falando na saída da escola? Inútil negar que tinha um amante!

Ele passou a me bater. Foi nessa época que os meus sorrisos desapareceram dos lábios. As surras que eu sofria deixavam marcas profundas no rosto, no pescoço e no corpo, mas atingiram principalmente a minha alma, durante 10 longos e intermináveis anos!...

Uma manhã acordei de um pesadelo terrível: Leônidas tinha me matado com sete tiros, e eu estava estendida no chão, em meio a uma enorme poça de sangue. Suando frio e aos prantos, naquele momento decidi que cometeria um crime perfeito. “Quem tem de morrer é ele!”, pensei. Comecei a planejar a forma de matá-lo. Ele era cardíaco e hipertenso, e nunca ligou para dieta. Estava vinte quilos acima de seu peso e relaxava nos horários de tomar o remédio. Era sempre eu que o alcançava os comprimidos!...

A noite chegou e me esmerei no jantar. Preparei leitão assado, salsichão, e salada de maionese, que ele adorava! Ele comeu até se fartar, sem ligar para o excesso de calorias que estava ingerindo.

Como previ, de repente ele começou a ficar vermelho, com falta de ar, e a reclamar de forte dor no peito. Ele me fazia sinal para que alcançasse o remédio, mas eu não movi nenhum músculo sequer! Com os olhos arregalados, ele continuou com as mãos estendidas, agora com um olhar de quem tinha entendido tudo, estrebuchando até cair morto.

Ao constatar que tinha me livrado dele, gritei e toda a vizinhança me acudiu. Eu soluçava, me jogava no chão e me abraçava ao seu corpo, aparentando desespero. “Coitada!”, diziam. “Ela adorava aquele desgraçado, apesar de tudo!”, pensavam.

Três meses se passaram. Já estava na hora da segunda parte do plano. A própria família de Leônidas me aconselhou a viajar para um retiro, para me curar da "depressão"!... Cheguei em casa e preparei as minhas malas, apressadamente. Lembrei que na Suíça, agora, é inverno. Retirei cuidadosamente o quadro de Di Cavancanti, acionei o segredo do cofre, peguei os dólares e fui embora para sempre, sem olhar para trás!...

Sônia Pillon

sábado, 29 de janeiro de 2011

Conto para esquecer (Inacio Carreira)

Para Yasunari Kawabata e
Gabriel Garcia Márquez,
de felizes memórias


Pensando bem, no final das contas o fato de ter visto tanta coisa neste mundo de meu deus fez com que ele como se não houvesse captado nada do entorno e permanecesse agora, nesse fim de viagem, quase virgem. Seu cérebro, tal qual nascituro. Vazio.


Mas de uma coisa ele não esquecia: a particularidade anatômica, íntima, de uma mulher. Toda vez que a via – e viam-se pouco, embora morando na mesma e pequena cidade – vinha à sua memória, gasta pelos anos [ele sentindo algo semelhante a pudor, vergonha?, procurando desviar os olhos do olhar da dona. Que talvez nem o conhecesse, ou nem o reconhecesse, apesar de bem mais nova e, com toda certeza, não sofrendo dos lapsos que o atingem]. Mas, se os olhos não se cruzam, ele não pode impedir que seu próprio olhar, entre matreiro e dissimulado, dirija-se ao ponto X.


Não que tivesse intimidades com ela, não. Intimidades: mesmo com a memória gasta, vêm à mesma sensações, texturas, sabores. Mas em massa, genericamente. A não ser por duas outras lembranças, de namorantes, sobre particularidades capilares íntimas (uma pela falta, outra pelo excesso), que não podem jamais cair no olvido. Ambas fogosas, até onde lembra, o relacionamento com elas era diferente. Com a, digamos assim, careca, ele era mais o alvo da paixão, servindo acertadamente aos jogos de cama que, grosso modo, seriam comparáveis às pugnas de Olímpia. Nada de joguinhos estaduais, campeonatos abertos, melhor de três: não! Olimpíadas é a palavra que melhor aponta para aqueles jogos comandados por Eros, onde o pomo de Vênus fazia-se caça e caçador e, ao final, as medalhas eram distribuídas entre os contendores, não havendo vencidos: como sói acontecer nas boas pelejas motivadas pelos instintos que, quanto mais baixos, melhor o jogo, onde a regra é não tê-las.

Mas essa particularidade referente à pilosidade, quanto à falta ou excesso, não é nada perto daquela primeira, que afinal perdeu-a (a particularidade, diga-se bem) por desdenhar, por não querer mostrar-se ao parceiro, ou parceiros, que isso era lá problema daquela senhora... fosse ele um dos escolhidos em sua versão original e teria dito que não, não fizesse aquela mutilação, mais é menos quando se trata de intimidades.

Se nós, homens, e cada vez mais no caso dele, apesar dos aditivos, temos que saber conviver com a máquina que, eventualmente, falha; com o motor que vez em quando nem no tranco pega, porque uma jovem tem que submeter-se aos ditames da moda íntima? Existe essa expressão? Acredito que sim, com o privado mais e mais tornado público, com cenas [iguais às especialidades dos ocupantes dos lupanares romanos] expostas nas paredes, posters pré-vesuvianos, mostrando suas preferências, hoje à vista nas bancas de revista, videolocadoras e, santa invasão da inocência, até nos chamados mercadinhos, partilhando conosco na escolha de repolhos, batatas, iogurtes...

Outra aventura ressalta, aflora à sua consciência agora que nisso pensa – são profundos os arquivos da mente -, pois não conseguia outra dona abrir-se ao ato, compartilhar do jogo. Mesquinharia, egoísmo, talvez, o não querer doar-se ao parceiro. Não conseguir relaxar a guarda e acolher, em seu castelo, tão nobre cavaleiro, de cuja armadura ela apreciava o toque, mas não baixava a proteção, não descia a ponte levadiça, não franqueava seus países baixos.

Porém estão todas no passado, e foi rico seu passado. Pena que já não tem pena, por esquecido estar. Com breves lampejos de lucidez, as lembranças ficaram no Grande Nada oposto ao Big Bang gerador de matéria: todas, menos a da mulher de particularidade anatômica que, se revelada fosse, seria digna de figurar no Guiness Book. As outras particularidades? Bah, esqueçam, diria.