Mostrando postagens com marcador . Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador . Mostrar todas as postagens

terça-feira, 20 de março de 2012

Descrença (Tiago Nascimento)

Uma noite os homens olharam para cima e perceberam que não podiam explicar as estrelas, o céu, as nuvens nada. Então criaram a mitologia.

Um dia um homem olhou para dentro de si e viu que tinha todas as respostas e também perguntas que ninguém formulara. Estava criada a filosofia.

E hoje eu olho pra Terra, pros seus habitantes, com meu crítico olhar de pessimismo e descrença; para onde é que essas pessoas estão a nos levar?





terça-feira, 13 de setembro de 2011

Em nome da Fé (Fernando Bastos)

Guerras e momentos de paz, ódio e amor, abandono e caridade fazem parte de nosso mundo orientado sobretudo por conceitos religiosos. Essa dicotomia que ora produz homens e mulheres santos, ora assassinos pode começar a se tornar compreensível se entendermos seus textos “sagrados”.

Vamos dirigir nosso olhar para os dois grandes livros, responsáveis por ditar regras de comportamento em mais da metade do planeta: a Bíblia e o Corão. Ambos trazem versos confortadores e amorosos. “Amai-vos uns aos outros” é um pedido cristão e a sura 4,36 (Corão) declara: “Tratai com benevolência vossos pais e parentes, os órfãos, os necessitados, o vizinho próximo, o vizinho estranho, o companheiro...”. É espantoso que duas religiões que sustentam esses versos de amor tenham sido causadoras de cruzadas, guerras santas, inquisições, e atos de terrorismo em nome da fé que seus devotos seguem.

Expandindo nosso olhar sobre as escrituras, veremos que nem só de amor e perdão nos “falam” aquelas páginas. A Bíblia traz em Deuteronômio 17,2 a sentença de morte para quem adora outro deus (quem tem outra religião). Em cima disso foi possível a Santa Inquisição, liderada pela Igreja, onde milhares foram mortos. O Corão ensina na sura 4,89 como tratar os que não seguem Alá: “capturai-os e então, matai-os, onde quer que os acheis”. Assim como papas autorizaram a morte na fogueira de hereges, os terroristas do 11 de setembro  tinham apoio da fé para o ato que cometeram.

Esse talvez seja o grande mal na religião: ensina que devemos dar a mão ao próximo, desde que ele acredite naquilo que acredito. Não há tolerância e respeito a pensamento diferente. É mais importante crer do que ser. A salvação é questão de crença e não de caráter. Agora podemos entender um pouco porque uma crença pode ao mesmo tempo motivar alguém a acolher um desvalido, bem como inspirá-lo a botar tudo pelos ares.

Fernando Bastos, cartunista e escritor.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O discípulo e os três cavaleiros (Sônia Pillon)

Determinado em encontrar o caminho da Iluminação, o jovem Silas deixou seu país de origem, o Brasil, e decidiu empreender uma longa jornada até o Tibete. Foram dois anos de privações e de economia” franciscana” para reunir os recursos necessários. Depois de muito viajar, chegou o momento de subir o topo da montanha que o levaria ao monastério. A íngreme subida começou no lombo de uma mula, e nos últimos metros, a pé. Finalmente, Silas consegue chegar à presença do Mestre. Emocionado, o jovem cai de joelhos e chora. Com a serenidade peculiar de quem domina o conhecimento das forças universais e terrenas, o Mestre fez Silas se levantar e contar do porquê de sua visita.


- Estou nesta busca desde pequeno! Já estudei todas as religiões, pratiquei algumas por um certo tempo, mas nenhuma me deu as respostas que eu procuro. Diga-me Mestre, o que preciso fazer para encontrar a Iluminação?


- Em primeiro lugar, você deve começar uma jornada rumo ao Leste, que durará 90 dias. Nesse período, você encontrará três cavaleiros, e deverá tirar a lição que cada um deles deixar para você. Somente depois de encontrar o Cavaleiro de Gelo, o Cavaleiro da Vaidade e o Cavaleiro do Orgulho é que você estará apto a encontrar o Caminho da Iluminação, que você terá de trilhar com as próprias pernas!


E lá se foi Silas... Os caminhos eram tortuosos, mas nada detinha o discípulo! Ao completar 29 dias, Silas avistou o Cavaleiro de Gelo, que não demonstrou nenhuma emoção ao ser abordado pelo viajante, que se disse com sede e fome. Com um olhar de granito, virou as costas e se foi... No segundo mês, viu o Cavaleiro da Vaidade, que chegou numa roupa vistosa, numa capa vermelha e brilhante. Ao ver o jovem em roupas rotas e empoeiradas, o olhou de cima a baixo e também o ignorou. O Cavaleiro do Orgulho, com olhar altivo e indiferente, também se negou a ajudar Silas.


Exausto e desanimado, o jovem seguiu pela tortuosa estrada. De repente, estaca ao ver o Mestre. – O senhor?! Mas...


- Diga-me, discípulo, o que você aprendeu nessa viagem?, perguntou o Mestre.


- Que a insensibilidade, a vaidade e o orgulho são incapazes de contribuir para o Bem. Mas e agora, o que o senhor tem a me dizer?


- É simples, meu jovem! Para alcançar a Iluminação, você precisa ter Fé, contribuir para o bem-estar do planeta, praticar a Solidariedade Humana, valorizar a família e os amigos, e buscar o Sucesso através da sua realização pessoal e dos outros. Só assim você alcançará a paz interior, e consequentemente, contribuirá para a paz mundial.


Depois de ouvir atentamente as palavras do Mestre, Silas foi embora pensativo. Ele sabia que já tinha ouvido tudo isso antes, mas precisou ir tão longe para acreditar!...


_____________
Publicado na revista virtual Letras Et Cetera, em 21 de dezembro de 2010.
Sônia Pillon é jornalista e escritora, nascida em Porto Alegre (RS) e há 14 anos radicada em Jaraguá do Sul (SC).
Leia Mais: http://nanquin.blogspot.com/2010/12/contos-de-solidao-o-discipulo-e-os-tres.html#ixzz18lj1ZCrG
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

OVNI Chinês (Tiago Nascimento)

[caption id="attachment_68" align="aligncenter" width="300" caption="http://inconscientecoletivo.net/wp-content/uploads/2009/05/ufo_china.jpg"][/caption]

Um OVNI chinês me salta aos olhos, parece querer saltar da home do site de notícias.

Manchetes alarmantes maltratam meus olhos. Enchentes, furacões, morte e destruição.

Onde está o nexo disso tudo?

Como saber se sei tudo o que está acontecendo no mundo?

Como saber se não existe um complô contra o belo?

Meus alunos parodiam o hino nacional e destilam pessimismo em suas canções.

Meus confrades torcedores ironizam o técnico, o elenco, corneteiam até o roupeiro do clube…

Um secretário municipal desacredita de sua capacidade de mudar o mundo, a política, o município, tudo (nada) enfim…

A TV faz-me ver o quão ruim e duro é viver o século XXI.

Mas sou um otimista. E ensino meus meninos que a gente pode mudar. Que o mundo tem conserto. Que o belo ainda subsiste. Que nem sempre foi assim ou que nem sempre assim será…

Acredito!