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quarta-feira, 15 de maio de 2013

Os desafios de Kalu Rinpoche (Sônia Pillon)

Essa é a história de um iluminado tibetano, de uma das linhas milenares mais tradicionais do budismo, associadas a uma vida de contemplação, isolada do mundo real. Com apenas dois anos, foi apontado como a reencarnação de um venerável líder, o que determinou para ele uma vida de retiro, estudo e meditação. E com grandes responsabilidades nas costas.
Ele é uma figura pública que o povo do Tibete costuma reverenciar, e que muitos ocidentais tratam como uma celebridade, comparável a um astro de Hollywood! Situação que sempre o deixou constrangido e que ele nunca incentivou, pelo contrário...
Um dia, quando tinha 19 anos, decidiu deixar a vida aparentemente tranquila e protegida do monastério, onde se sentia triste e solitário, para conhecer a vida lá fora. Para ele, aquele era um espaço lúgubre, lugar onde tinha sofrido abuso sexual de alguns monges, aos 12 anos, e que por isso o fez desacreditar neles. Situação que é muito comum em outras religiões, por sinal...
Ao partir do templo, o jovem reverenciado como um iluminado - ou “bodhisattva da terra”, que nasceu para inspirar as pessoas no caminho do Bem - levava na bagagem todas as inquietações, a curiosidade e os desejos de qualquer outro de sua idade. Foi para a Tailândia, ávido por conhecer as tentações da vida mundana. E ele efetivamente conheceu...
Após seis meses, período em que se apaixonou pelo hip-hop e aprendeu a navegar pela internet e a interagir nas redes sociais, decidiu retomar sua missão e reassumir sua posição na hierarquia budista, para administrar 70 templos espalhados pelo planeta. Se ele é criticado pelos conservadores? Claro que sim! Mas tem plena consciência do seu papel social, agora mais do que nunca.
Transitando entre o mundo real e o espiritual, como um equilibrista em uma corda bamba, o líder espiritual, que hoje tem 22 anos, percorre os cinco continentes para levar a sua mensagem e dispensa idolatrias. Para ele, o mais importante é divulgar a filosofia de vida originada na Índia por Suddartha Gautama, o Sakyamuni, por volta do século V a.C., que prega a bondade, o comprometimento pessoal com a paz e os benefícios da meditação. “Aumentar a qualidade do entendimento”, resume o jovem Kalu Rimpoche, que é visto como um dos elos entre os primórdios e o contemporâneo, com todos os desafios enfrentados no século 21.


Sônia Pillon é jornalista e escritora, autora residente dos sites de literatura Letras et Cetera e Cooperativa de Letras.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O discípulo e os três cavaleiros (Sônia Pillon)

Determinado em encontrar o caminho da Iluminação, o jovem Silas deixou seu país de origem, o Brasil, e decidiu empreender uma longa jornada até o Tibete. Foram dois anos de privações e de economia” franciscana” para reunir os recursos necessários. Depois de muito viajar, chegou o momento de subir o topo da montanha que o levaria ao monastério. A íngreme subida começou no lombo de uma mula, e nos últimos metros, a pé. Finalmente, Silas consegue chegar à presença do Mestre. Emocionado, o jovem cai de joelhos e chora. Com a serenidade peculiar de quem domina o conhecimento das forças universais e terrenas, o Mestre fez Silas se levantar e contar do porquê de sua visita.


- Estou nesta busca desde pequeno! Já estudei todas as religiões, pratiquei algumas por um certo tempo, mas nenhuma me deu as respostas que eu procuro. Diga-me Mestre, o que preciso fazer para encontrar a Iluminação?


- Em primeiro lugar, você deve começar uma jornada rumo ao Leste, que durará 90 dias. Nesse período, você encontrará três cavaleiros, e deverá tirar a lição que cada um deles deixar para você. Somente depois de encontrar o Cavaleiro de Gelo, o Cavaleiro da Vaidade e o Cavaleiro do Orgulho é que você estará apto a encontrar o Caminho da Iluminação, que você terá de trilhar com as próprias pernas!


E lá se foi Silas... Os caminhos eram tortuosos, mas nada detinha o discípulo! Ao completar 29 dias, Silas avistou o Cavaleiro de Gelo, que não demonstrou nenhuma emoção ao ser abordado pelo viajante, que se disse com sede e fome. Com um olhar de granito, virou as costas e se foi... No segundo mês, viu o Cavaleiro da Vaidade, que chegou numa roupa vistosa, numa capa vermelha e brilhante. Ao ver o jovem em roupas rotas e empoeiradas, o olhou de cima a baixo e também o ignorou. O Cavaleiro do Orgulho, com olhar altivo e indiferente, também se negou a ajudar Silas.


Exausto e desanimado, o jovem seguiu pela tortuosa estrada. De repente, estaca ao ver o Mestre. – O senhor?! Mas...


- Diga-me, discípulo, o que você aprendeu nessa viagem?, perguntou o Mestre.


- Que a insensibilidade, a vaidade e o orgulho são incapazes de contribuir para o Bem. Mas e agora, o que o senhor tem a me dizer?


- É simples, meu jovem! Para alcançar a Iluminação, você precisa ter Fé, contribuir para o bem-estar do planeta, praticar a Solidariedade Humana, valorizar a família e os amigos, e buscar o Sucesso através da sua realização pessoal e dos outros. Só assim você alcançará a paz interior, e consequentemente, contribuirá para a paz mundial.


Depois de ouvir atentamente as palavras do Mestre, Silas foi embora pensativo. Ele sabia que já tinha ouvido tudo isso antes, mas precisou ir tão longe para acreditar!...


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Publicado na revista virtual Letras Et Cetera, em 21 de dezembro de 2010.
Sônia Pillon é jornalista e escritora, nascida em Porto Alegre (RS) e há 14 anos radicada em Jaraguá do Sul (SC).
Leia Mais: http://nanquin.blogspot.com/2010/12/contos-de-solidao-o-discipulo-e-os-tres.html#ixzz18lj1ZCrG
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