segunda-feira, 11 de julho de 2011

Diálogo entre Deus e o Diabo (Fernando Bastos)

Há três bilhões e meio de anos, os dois únicos habitantes do mundo estavam tão entediados, que não suportavam mais olharem-se um para o outro. Nem orgulhoso estava mais o criador, diante de sua majestosa obra, o universo. Para piorar, seu antagonista vivia lembrando-lhe das imperfeições do cosmos. Tu criticas por inveja, disse deus, remexendo-se no trono cravejado de ouro e diamante. Tu não farias nem a metade disso. O diabo respondeu, Para isso ficar mais interessante falta uma coisa. O quê? perguntou o magnânimo. Falta vida, respondeu o diabo. Vida? Tens razão, porque não pensei nisso antes. Para tu veres, como és desligado, provocou satanás.


Isso não é problema. Estais vendo aquele planetinha azul ali, tão pequeno quanto um grão de areia? Sim, respondeu satã. Olhai como abundam as águas nele, pois então, neste momento, fabricarei a primeira molécula de RNA, de modo que ela será capaz de fazer cópias de si mesma, gerando outras formas de vida. Sou um gênio, admita. Isto até eu faria, disse o demônio, que gostava de menosprezar o trabalho do parceiro. Pois não ficará só nisso, advertiu deus.


Passaram-se mais alguns bilhões de anos, e algumas criaturas começaram a sair das águas e se estabelecer em terra firme, sofrendo mutações genéticas, adquirindo novas formas, adaptando-se ao novo ambiente. Deus sorriu obliquamente, pensando, desta vez o diabo vai ter que me engolir. Que nada, as provocações continuaram. Não vejo graça nenhuma nestes seres peludos pulando de galho em galho, sem noção de existência. Deus perguntou, Que queres que eu faça? Favoreça-os com uma consciência, faça-os descerem e andarem como gente. Seja feita a tua vontade, concordou o Supremo.


Destarte, há cerca de quatro milhões de anos os primeiros hominídeos começaram a andar eretos. Eles precisam falar, senão não tem graça, exigiu o demônio, de modo que algum tempo depois deus lhes outorgou o dom da fala. Vede agora, disse deus mais orgulhoso do que nunca. São feitos a nossa imagem e semelhança. Hm, resmungou o capeta. Eles estão muito felizes, pensou o diabo crepitando em suas veias a mais sórdida inveja.


O diabo percebeu que o motivo da felicidade era o estilo de vida sem interditos, e a não existência da “má consciência”, que seria usada mais tarde pelos sacerdotes e transformaria bilhões de seres humanos em neuróticos, pois quase tudo era permitido na mais pura inocência nas hordas dos primeiros seres humanos. Toda mulher copulava com quantos homens quisesse e todo homem com quantas mulheres desejasse. As crianças eram felizes, pois tinham vários pais e varias mães que as cuidavam em tempo integral. Naqueles tempos, pensava-se que a gravidez das fêmeas fosse determinada pelos deuses; desconhecia-se a importância do líquido seminal, de sorte que homens e mulheres viviam em regime igualitário. Os humanos formavam uma grande família. A questão de propriedade não existia e tudo era compartilhado.


O diabo aproximou-se do companheiro e sugeriu: meta-lhes na cabeça o ciúme. Quê? Indagou deus. Tu és surdo? Perguntou o diabo, Eu fui claro, faça-os terem ciúme uns dos outros, de tal sorte que se sintam proprietários uns dos outros. Deus ponderou, Mas isto irá acabar com a felicidade deles. A vida deles será um inferno.


O diabo deu de ombros e sorriu maliciosamente. Venci mais uma vez.


Fernando Bastos – cartunista e escritor, autor de Teofania, homens que viam e conversavam com Deus (Design Editora, 2009)

domingo, 10 de julho de 2011

High Society (Sônia Pillon)

Nunca pensei que viria tanta gente para esse coquetel!... Canapés de camarão, salgadinhos, docinhos, vinho, espumante, cerveja... Os garçons não param de aparecer com uma bandeja na minha frente, e já desisti de seguir com a dieta hoje... Já perdi a conta de quantas vezes andei por esse salão, com uma taça na mão, percorrendo um a um os quadros dessa vernissage de arte contemporânea, que mais parece um desfile de modas e de frivolidades...

A nata da sociedade está aqui hoje, “la crème de la  crème”, diria um colunista mais esnobe...Se fosse somar o conteúdo da conta bancária desses milionários e o peso das joias das madames emplumadas, o chão com certeza desabaria!, pensei, sem conseguir conter o sorriso quando a cena me veio à mente...

Estou me sentindo um peixe fora d’água no meio desses ricaços, mas a revista me mandou para cobrir o evento, fazer o quê?... Já estou há mais de uma hora rondando aquela socialaite perto das bebidas, mas parece que ela nem me vê... Daqui a pouco ela vai ficar de pilequinho, para variar, e dar em cima de todo mundo, como sempre... Seria melhor se eu conseguisse a entrevista antes...

Ali está a dona Brígida, toda sorridente ao lado do marido, posando para o fotógrafo do concorrente... Olhando de fora, quem vai dizer que esses dois se odeiam, mas vivem em quartos separados na mesma casa?... Ah, o patrimônio!... Jogar tudo para o alto e perder dinheiro, status e poder? Nem pensar!...

A dona Abigail está na mesma situação, há anos fechando os olhos para os deslizes daquele bode velho, um pinguço de primeira! Quando ele morrer, vai nascer um pé de cana do lado da sepultura, com certeza!...

E veja só a Patrícia, tão jovem e bonita, casada com aquele empresário... Como é mesmo nome dele? Leônidas, isso! Trinta anos mais velho que ela, morre de ciúmes da mulher, que ele exibe como um troféu... Acha que está abafando!... Vivem dizendo que ela dá as suas escapadinhas à tarde, mas ninguém se atreve a falar nada. Quem tem telhado de vidro...

Aquela outra lá deixou até o marido em casa. Está com a pele bem mais esticadinha do que quando a vi na última vez. Essa é pegadora!...Quando ela sai com aquele conversível vermelho em direção a Florianópolis, dizem as más-línguas que vai caçar garotão na avenida Beira-mar... Vai ver que é por isso que ela está sempre com esse sorriso no rosto, com os olhos e a pele brilhando... O marido já não tem nem cara mais de aparecer ao lado dela. Melhor fazer que não vê, para não perder a vida boa...

Os artistas plásticos da exposição são os únicos que parecem mais naturais. Eles se esforçam em “explicar” suas obras aos patrocinadores, que fingem entender de arte...

 Já está na hora de fazer aquela entrevista pingue-pongue para a revista e decido me aproximar da socialaite, que agora se mostra menos esnobe e condescendente comigo. A minha presença aqui significa aparecer na página vip da revista, e isso é motivo mais do que suficiente para que ela me atenda bem...

Pronto, terminei a entrevista! Acho que agora está na hora de vazar daqui. E é o que estou fazendo. Mas uma cena me chama a atenção enquanto me dirijo à porta de saída, com a chegada de um jovem casal. Eles usam jeans e camisetas, bolsas  de couro atravessadas no peito e tênis. Meio ripongas. Ela é filha do dono da maior rede de lojas de calçados da cidade, e o namorado, um estudante de engenharia civil (um pé-de-chinelo, como querem os fofoqueiros, torcendo o nariz)... A plateia se vira para eles e os olha de cima a baixo, censurando silenciosamente os trajes dos dois. Apaixonados, eles entram abraçados, sorridentes e cumprimentam a todos, sem ligar para os olhares de reprovação e risinhos debochados. “Excêntricos”, dizem alguns, “felizes”, digo eu, que vou embora com a certeza de que presenciei uma das poucas cenas de alegria genuína, naquela noite...

Sônia Pillon é jornalista e escritora em Jaraguá do Sul, Santa Catarina.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Carta de divórcio (Tiago Nascimento)

Depois de deduzidos os impostos;
pagas as duas prestações;
feitas as compras do mês;
pago o aluguel do mês passado,
quem sabe ainda falte dinheiro
para encerrar a luz, a água
e o telefone.
É. Ser classe média é uma dureza...

Depois de enjoar da minha cara,
talvez. você vai embora sem que
eu possa ao menos entender
o tipo de mulher episódica que era você.
Quem sabe eu ainda consiga
juntar os cacos e recomeçar.
É. Ser abandonado é uma tristeza...

Sei lá, a gente não pensou bem,
só acho que se eu soubesse que ia ser assim
eu teria pedido o divórcio muito
antes de ontem a tarde.

sábado, 25 de junho de 2011

Nem que a vaca tussa! (Vana Comissoli)

Nem ela acreditou quando o primeiro cof cof saiu enroscado no ruminar constante.
Quando sentiu a coceirinha na goela de novo enfiou a cara no feno cheiroso do coxo. Abafar é preciso, viver não é preciso.
Isso é um absurdo, pensava quase sufocando. Ainda não sabia que o absurdo é o normal e o normal é um absurdo já que não existe. É uma criação das pessoas que pensam atingir essa esfera de perfeição que é a normal imbecilidade. Todos sonham alguma coisa, esse é o sonho mais
constante, mais inatingível e mais idiota.
Ser normal é uma vaca perdida na boiada com olhos de bovina resignação. A normalidade é um engodo.
− Cof cof!
Ali ao lado o cavalo relinchou baixo, abanou as moscas inexistentes com a cauda. Moscas sempre existem, pensou antes de assimilar o som que ouvira, moscas saem de dentro para fora.
− A vaca tossiu! – Registrou quando o som abafado rompeu a garganta ardida da companheira de cela, digo de cubículo.
Há anos conviviam pacificamente sem perturbações, tudo absolutamente normal, nem se incomodavam quando Henry, o dono da fazenda, já habituado aos costumes da terra tupiniquim dizia com raiva:
− Não pago estes impostos exorbitantes nem que a vaca tussa! – E escondia o dinheiro verde amarelo nas encovadas contas das Bahamas, ou qualquer outro paraíso fiscal a que só os gringos ou os ricos têm acesso.
Não se incomodavam quando era o peão grosseiro, de bigodes cheirando a fumo, de dedos amarelados e sempre pronto a acobertar uma ovelha nas barrancas do rio, que dizia:
− Não trabalho no feriado nem que a vaca tussa!
Era tão banal ouvir isso e ao mesmo tempo tão impossível a pobre Amélia tossir que não tinha razão dar importância a estes ditos populares que são o escape da raiva e do “sem razão alguma”.
Agora, de uma hora inexplicável para a outra, o sistema tinha sido rompido ou corrompido.
Amélia, a vaca, tossira!
Por longos dias, sufocando focinho e olhos dentro do coxo, numa experiência ainda mais dolorosa, levantando as patas e tapando o buraco tossidor, enfiando a cara no rabo do cavalo sem nenhum escrúpulo ou nojo, ela tentou voltar ao “status quo”. Ameaçou a alma com os fogos do inferno, com as bruxarias das mulheres, com o sêmen dos homens desviados e nada adiantou. A maldita contra regra atravessava as horas, o peito, como grito transgressor.
Suava, no fundo de sua ruminância passiva e inerte, pressentia o perigo: não se quebra as regras impunemente, algo de terrível aconteceria quando os homens não tivessem um impossível
onde se refugiar. Quem os salvaria da ação? Quem os salvaria da salvação? O salvar a ação não feita, eis o fantasma que come a si mesmo.
O bulício da fofoca começou ao pé dos ouvidos, não era coisa de se falar alto: A vaca tossiu!
Depois nada segurou. A cidade tremia nos becos e nas avenidas: A vaca tossiu!
A polícia não pode deixar de correr atrás do ladrão, a vaca tossiu!
As traições deixaram de ser feitas, os assassinatos foram suspensos e o homem perdeu-se no mar de possibilidades que a tossida trazia no seio.
− “Não vou à missa nem que a vaca tussa!” – Ela tossiu, dá-lhe terço, genuflexão e beija mão do padre.
− “Como essa mulher nem que a vaca tussa!” – Não comeu mais, foi para casa bem aquietado, murcho, assistindo cinco vezes as mesmas notícias enquanto na cozinha um arrastar de panelas mastigado por “Não faço comida nem que a vaca tussa!” se perdia num monte de pernas de frango e feijão queimado.
Foi quando Fabiana na frescura incomparável dos olhos verdes e cabelos recém aloirados e mechados, peitos novinhos em folha, muito bem siliconados, saiu de casa:
−“Hoje eu pego aquele gato, nem que a vaca tussa!”
O gato queria ser pego, a vaca podia tossir quanto quisesse.
Amélia, lá no curral, levada aos trancos e barrancos para as fronteiras perdidas do sem fim onde não se é ouvido, gemia, tossia. A maldita tosse crescia num volume assustador, quanto mais distância, mais forte ficava e, de alguma maneira alucinante, todo o eco das ações rompidas ou executadas à força chegavam até ela.
Quando Fabiana não achou nenhuma graça embaixo do gato que não dera nenhum trabalho de caçar foi que a coisa começou a ficar escranchada. Saiu meio nua, meio não, a gritar que essa história de vaca tossir era uma praga pior do que a do Egito e só podia ser castigo de Deus como em Sodoma e Gomorra. O mundo estava perdido. Era o fim, o apocalipse. Os anjos da ordem tinham que descer dos céus e dar um jeito na aberração.
Ao fundo do discurso escutado não apenas na cidadezinha até então desconhecida, mas até em Nova York, ouvia-se cada vez mais forte, mais alto, a tosse da vaca Amélia, resignada por ser a portadora da ira de Deus contra os homens pecadores.
O negror foi tomando conta do planeta, crianças não explodiam na Palestina, nem morriam de fome na África, os pés de maconha secaram e a cocaína não aceitou refino, o crack estourava antes de ser sorvido e os revólveres viraram seus canos negros para trás: ou suicídios, ou calados.
Os homens desistiram de se matar, a vaca tossia.
E tudo foi ficando muito chato porque a grande transgressão impedia as pequenas, tão banais da humanidade. O que é um estupro, ou um roubo colossal, ou um iate indo a pique diante da tosse da vaca? Que são mísseis, ou napalm se a vaca tosse? Quem se importa com a Gisele
Bündchen desfilando com trilha sonora de vaca tossindo? O Ronaldo, Fenômeno, resolveu experimentar um sexo alternativo, com a tossida da vaca não dá Ibope nenhum!
Eram as três horas sacras. No Gólgota se viu a nuvem negra e terminal tomando forma de cogumelo atômico. Amélia subiu arrastando a tosse, a sua cruz.
Não precisou do madeiro, nem de soldados, afinal era apenas uma vaca. Levava um cutelo, com muito esforço prendeu-o entre as pedras com a ponta aguda bem certeira do caminho que seguiria.
Quando se atirou nauseada e bendita ouviu-se um canto vindo das profundezas do inferno, uma aleluia às avessas:
-“ Hosana, a tosse morreu, o Pecado está salvo!”

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Solidão (Marcio E. Ochner)

Cansada da espera
Juntava-se ao álcool do copo sobre a mesa,
Acreditava que a libertava de algo.

Desmemórias existiam naquele instante...

A única coisa que restava dar cabo, era a sua própria vida,
Na falta de um amor,
Da vida sem amigos,
Desejava insistentemente,
Dar cabo naquele instante...
Afogava-se no álcool do copo sobre a mesa.

Largava seus pensamentos na esperança de um vestígio vital,
Devaneios empoeirados,
Variava entre idéias do copo sobre a mesa...
Mais seu único e inseparável companheiro, era a solidão.

Corria em seus pensamentos...
Desnuda de insanidade...
Numa rua obscura de densidade rasteira,
Seu coração encontrava-se cansado...
De amor que nada obteve...
Morreria sem a palavra correta para descrevê-la.

Desenhava seu sentimento de alusões sobre a mesa.

Corria entre os dedos...
De olhos apurados,
Deparava-se com as mãos ao joelho,
Chuva...
Escorria-lhe as lágrimas ante seu olhar pintado,
Aguardava,
Seu amor que já partiu,
Novamente a solidão,
Num copo,
Que quebra,
morre.

terça-feira, 21 de junho de 2011

A maçã do amor (Sônia Pillon)

A tarde ensolarada e amena de outono atraiu toda a cidadezinha do interior para o parque municipal. Cercado de um imenso e paradisíaco lago, não faltavam peixes, patos e aves aquáticas. E como se não bastasse, era o Dia dos Namorados. Os casais passeavam e procuravam aproveitar o bom tempo para caminhar, fotografar e se refugiar embaixo das árvores, em busca de um pouco de intimidade. De tão belo, até lembrava um quadro de Monet...
Gerações inteiras se espalharam pelo parque. O corredor de final de semana e a praticante de trekking se movimentavam concentrados, alheios à poesia do momento. Destoavam, por que não foram seduzidos pela informalidade e descontração do ambiente. Com expressões sérias, mesmo usando abrigo e tênis, mantinham a postura formal do escritório, ou seria do consultório?... 
As crianças faziam a festa correndo pela grama, para desespero dos pais, que temiam a proximidade da lagoa. Cães com pedigree, segurados por seus donos, e simpáticos vira-latas também aproveitavam a tarde domingueira, sem distinção...
Enquanto alguns idosos andavam encurvados, como se sucumbissem ao peso dos anos, outros andavam lépidos e faceiros, transbordando bom humor. Mas se a atmosfera era de alegria geral, nem por isso era unânime. Bastava um observar mais atento para flagrar olhares opacos, desesperançados, tomados pela raiva ou apatia, e rostos crispados pela dureza da vida.
As flores bem cuidadas encantavam pelo colorido, especialmente os canteiros de amor-perfeito, enquanto borboletas e pássaros sobrevoavam o local. O som que vinha da tenda junina anunciava o arraial que teria início no fim de tarde, com muito quentão, pinhão, pipoca, paqueras tímidas, azaração explícita... O vendedor de pipoca e algodão-doce ia empurrando o seu carrinho e soprando a corneta. 
Enquanto observava o cenário quase perfeito, à la Barbie Girl, Samantha se aproximou da barraca da maçã do amor. Olhou uma a uma, e logo identificou a mais vermelha e vistosa. Era tão vermelha e brilhante, que não tinha como passar despercebida!
- Quero aquela maçã!, apontou Samantha. Ao segurar a maçã, se sentiu vitoriosa, pois viu muitos olhares cobiçosos enquanto pegava a fruta caramelada. Saiu rapidamente dali e foi procurar um canto para saborear a sua tão almejada maçã do amor. Na primeira dentada, a cobertura de açúcar foi deliciosa, e ela sorveu cada pedacinho. 
Porém, à medida que passou a comer, viu que a fruta estava macia demais, com um gosto esquisito e, para sua decepção, estava estragada por dentro. Enojada, cuspiu rapidamente e jogou a maçã na lixeira. Uma senhora gorda e de estatura baixa, com ares de cigana, ao ver a cena não se conteve. Se aproximou discretamente de Samantha. – A maçã do amor é que nem certas pessoas. Nem sempre a beleza externa corresponde ao que se encontra por dentro. 
Assustada, se vira rapidamente em direção à voz, mas não encontra mais ninguém... - A noite está só começando, e não vai ser uma maçã podre que vai estragar a festa, pensou Samantha, enquanto arrumava o cabelo e ajeitava a roupa.





Sônia é jornalista e escritora em Jaraguá do sul - SC.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Confusão (Tiago Nascimento)

Eu confundi Tom Cruise e cruz-credo
Eu confundi Jesus com Genésio
Eu confundi tudo,
xadrez com ludo
confundi, fiquei confuso.

Eu confundi butterfly com Buddy Gay
Confundi Confúcio e Cesar Augusto
Eu confundi nada,
sopa com salada
Me confundi e fiquei na sala.

Eu confundi princesa e tristeza
Confundi o que houve com love
Eu confundi ao quadrado,
Medina com Medrado
Me confundi e fiquei parado...