Mostrando postagens com marcador sapatos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sapatos. Mostrar todas as postagens

sábado, 4 de junho de 2011

Gatossapato (Fred Paiva)

fiz do meu gato rajado

um sapato sem brilho

fosco batido

um nó no cadarço

prum lado pro outro

rosnando largado

com fome de terra

ração de sapato

calçado calçada

e ele descalço

pisando a poeira

arisco correndo

ralo sem som

tocaia bem feita

e calo + calo

me calo de arrasto

com dor na canela

apunhala o piso

furando lajota

rola na areia

desce que sobe

equilibra a carcaça

do alto um salto

e pousa de pé

pra mãe não morrer

de barriga no chão

no meio do quarto

jogada com os outros

preguiça vírgula

friagem no pé

- Vai botar um chinelo, menino!

--------

Fred Paiva

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

eu sempre quis escrever um poema com sapatos (Ítalo Puccini)

eu sempre quis escrever um poema com sapatos.
vesti-los
e andar por aí a amaciá-los,
como que fazendo brotar dali um poema.

porque o poema, quando brota,

traz consigo um susto,
um estranhamento,
como de quem veste sapatos
para fazê-los,
ou usá-los,

poema e sapato.


mesmo que incompleto,

mesmo que sem sola,
eu sempre quis escrever um poema com sapatos.

ítalo puccini.

eu sempre quis escrever um poema com sapatos.
vesti-los
e andar por aí a amaciá-los,
como que fazendo brotar dali um poema.

porque o poema, quando brota,
traz consigo um susto,
um estranhamento,
como de quem veste sapatos
para fazê-los,
ou usá-los,

poema e sapato.

mesmo que incompleto,
mesmo que sem sola,
eu sempre quis escrever um poema com sapatos.